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Para Lula, Dirceu foi cassado sem provas

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Pedro Dias Leite Eduardo Scolese Ney Hayashi da Cruz Andréa Michael Folhapress No dia seguinte à cassação do mandato de José Dirceu (PT), integrantes do governo federal, em especial o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, saíram em defesa do ex-ministro da Casa Civil. Para o presidente, o homem forte do início de sua gestão foi cassado sem provas e somente a ?história? irá julgá-lo. Lula não criticou diretamente a Câmara, mas disse que a decisão o fez ?pensar um pouco mais?. Dirceu esteve na chefia da Casa Civil entre janeiro de 2003 e junho de 2005, quando, praticamente obrigado a sair, decidiu reassumir o mandato de deputado para se defender das denúncias de envolvimento do esquema do mensalão. ?O Congresso Nacional tem soberania para tomar as decisões e votar naquilo que a gente gosta e naquilo que a gente não gosta. A única coisa que eu lamento é que o José Dirceu tenha sido cassado antes de provarem alguma coisa contra ele?, afirmou o presidente, sem alterar o tom de voz. Os comentários de Lula sobre Dirceu, com quem disse ter uma ?relação de amizade e carinho?, ocorreram em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, no Palácio do Planalto, da qual participaram, além de ministros, empresários, sindicalistas e outros representantes da sociedade civil. O presidente, ao iniciar seu discurso, incluiu a cassação de Dirceu como uma das notícias negativas que recebeu ao longo desta semana. ?Não estava previsto eu falar hoje (ontem), aqui, mas eu preciso falar, esse é o dilema?, disse o presidente, no início de seu discurso de improviso. ?Nós temos uma semana em que tudo começou de forma muito promissora, com notícias boas, e uma semana que vai terminar com algumas notícias que não acalentam nenhum de nós.? Do lado positivo da balança, o presidente colocou a divulgação de dados positivos sobre indicadores sociais e um acordo fechado com a Argentina ontem. Do lado negativo, o recuo de 1,2% do PIB no terceiro trimestre (o pior resultado em dois anos e meio) e a cassação de Dirceu. A referência a notícias boas e ruins estava anotada à mão no verso do texto que serviu de roteiro para o discurso de improviso. Logo após o lembrete ?Tem demandas do Conselho que precisa ser discutido (sic)?, o rascunho feito por Lula registrava ?Notícias boas e notícias ruins; Boas Pnad - Pib - Zé Dirceu?. ?Todo mundo sabe o quadro político importante que ele é, se ele errou ou não a história vai julgar. O dado concreto é que eu acho que poderiam, antes de julgá-lo, ter provado o que diziam do José Dirceu, e não fizeram isso. Eu acho que a história vai se encarregar de colocar as coisas mais às claras para todos nós?. ### Palocci evita comentar cassação Rio de Janeiro - O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, evitou comentar ontem a cassação de José Dirceu. Questionado sobre o impacto da medida, Palocci afirmou que o problema da crise política é que todos têm a expectativa de que as instituições funcionem. ?Não colocaria a questão específica do deputado José Dirceu, meu companheiro José Dirceu. O problema é que todos têm a expectativa de que as instituições funcionem, que elas façam a apuração adequada das questões apontadas, realizem as punições que as comprovações apuradas possam permitir, mas que elas possam significar um processo com começo, meio e fim?, disse. Palocci afirmou que todos os responsáveis devem se preocupar em fazer com que o processo político tenha condução adequada, mas salientou que isso não quer dizer apressar as investigações. ?Uma crise prolongada, sem caminho significa demonstrar fraqueza e não força das instituições?, afirmou o ministro. Segundo Palocci, é preciso fazer um esforço coletivo, do governo e da oposição. ?Quando se estabelece uma crise política, todos os lados cometem exageros, erros, deixam resvalar os processos para crises de caráter eleitoral e isso prejudica o País?, disse. De acordo com Palocci, o País não pode conviver com uma crise de longo prazo. ?Podemos conviver mais de três anos com crise? Penso que não?, afirmou em discurso. Palocci afirmou que a crise política impactou negativamente as expectativas dos consumidores e dos empresários e que a economia recebeu ?uma notícia ruim? com a divulgação da queda de 1,2% do PIB no terceiro trimestre. Ele também reconheceu que a política monetária pode ter reflexos negativos sobre o crescimento do País, mas voltou a defender o trabalho do Banco Central e o rigor em relação aos juros para o controle da inflação. ?Admitimos esse debate (sobre a alta dos juros) como um debate legítimo, mas penso que não há erro de dose. Na verdade, combater a inflação tem custos. Ajustar o País do ponto de vista fiscal tem custos, isso exige esforço?, afirmou, em almoço com empresários na Firjan, realizado em sua homenagem. Palocci ressalvou que as expectativas começaram a melhorar mesmo ainda durante turbulência política porque, segundo ele, ?as pessoas perceberam que a força da economia é mais forte do que a crise política?. ?De fato, houve um impacto da crise sobre as decisões de investimento e consumo. Houve uma forte queda dos consumo de bens duráveis e houve uma retração dos investimentos. Consumidores e agentes investidores tomaram a mesma atitude de cautela. Mas, mais recentemente, ele (o quadro) vem se recuperando. Portanto, houve, sim, uma ação forte da crise política sobre o processo econômico, é um processo que já se reverte?, afirmou. Apesar da queda de 1,2% do PIB entre julho e setembro, justamente o período de agravamento da crise política, Palocci previu uma retomada do crescimento no quarto trimestre do ano. ?Teremos um novo trimestre já indicando retomada do crescimento?, afirmou, acrescentando que tem ?absoluta clareza? de que o Brasil está num ciclo de crescimento longo. O ministro disse ser legítima a discussão sobre a dose do ?remédio? juro, mas considera incontestável a necessidade de controlar a inflação.

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