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Pol�cia apura extors�o a traficante

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| Talita Figueiredo Folhapress Rio de Janeiro - A polícia do Rio investiga a suspeita de que uma extorsão feita por dois sargentos a um traficante teria iniciado a onda de barbárie na cidade, com a morte de cinco pessoas dentro de um ônibus e a execução de outras quatro, no dia seguinte, acusadas pelo crime. Por essa linha de investigação, os policiais militares teriam prendido, extorquido dinheiro e liberado o traficante conhecido como Lorde, suposto mandante do ataque ao ônibus da linha 350 que deixou cinco mortos, entre eles uma criança de um ano, na noite de terça-feira. Segundo as investigações, Lorde não teria pago toda a propina e, por isso, os policiais teriam reprimido o tráfico em sua área e matado integrantes de sua quadrilha, inclusive Leonardo de Souza Ribeiro, 22, o Ciborgue. A morte de Ciborgue é apontada pela Secretaria de Segurança Pública como motivo do ataque ao ônibus. Ele morreu horas antes do crime. Policiais receberam hoje informações de que Lorde estaria em São Paulo com uma namorada, fugindo da polícia e de traficantes que ordenaram sua morte. Por ordem do comandante-geral da Polícia Militar, coronel Hudson de Miranda Aguiar, os sargentos Paulo Henrique da Silva Melo e Jorge Henrique dos Reis, do 16º Batalhão da PM (Olaria), foram detidos hoje à tarde para prestar depoimento à Corregedoria da corporação. Eles são suspeitos, de acordo com uma ligação para o Disque-Denúncia, de cobrar R$ 5 mil a Lorde, chefe do tráfico no morro da Fé, na Penha, para soltá-lo. Segundo a denúncia, o traficante teria pago apenas R$ 2 mil e prometido o restante para depois. Lorde não teria pago os outros R$ 3 mil, o que teria motivado os policiais a agir contra o tráfico na região. Na noite de terça, pelo menos sete criminosos pararam o ônibus e atearam fogo sem deixar que os cerca de 30 passageiros saíssem. Cinco pessoas tiveram os corpos completamente carbonizados e pelo menos 13 pessoas ficaram feridas - três continuam internadas em estado grave. Um deles, Rogério Mendes de Oliveira, 27, é o pai da criança de um ano, Vitória, e marido da mãe dela, Wânia da Lúcia Barbosa, 33, que também morreu. Dos sete criminosos, quatro foram mortos, supostamente a mando de traficantes do Comando Vermelho - mesma facção de Lorde - como vingança. Na sexta, a polícia identificou mais um dos quatro mortos e descobriu o apelido de outro. Na quinta, dois já haviam sido identificados, sendo que um deles foi reconhecido como o que jogou combustível no ônibus e acendeu o fósforo que iniciou o incêndio. Testemunhas afirmaram que a namorada de Lorde também participou do ataque. ### Corpos de mãe e filha são enterrados Cristina Tardáguila Ferreira Folhapress Sob uma chuva fina no cemitério de Irajá, no Rio de Janeiro, às 11h da sexta-feira passada, foram enterrados na mesma sepultura os corpos de Wânia da Lúcia Barbosa, 33, e de sua filha, Vitória Barbosa da Silva, 1, ambas vítimas do ataque ao ônibus 350. Cerca de 50 parentes e amigos estavam presentes. Eles não quiseram fazer protesto com medo de represálias, pois moram perto do local onde o ônibus foi queimado. Como se ainda pudesse proteger a criança, o caixão de Wânia, de madeira escura, foi enterrado levando o de Vitória, branco e com cerca de um metro de comprimento, em cima. Os dois entraram na sepultura ao mesmo tempo e foram, em seguida, cobertos por flores brancas. ?Enterrar as duas juntas era a forma ideal de se fazer isso??, disse Wanda Lúcia Barbosa, 37, irmã e tia das vítimas. O sepultamento, que durou pouco mais de 30 minutos, não foi antecedido por um velório, mas contou com a emoção dos cantos evangélicos entoados pelos familiares. Segundo Vanessa Regina Ribeiro de Oliveira, 24, sobrinha do marido de Wânia e pai de Vitória, os corpos das duas vítimas já estavam em adiantado estado de decomposição e precisavam ser sepultados. Waldir Barbosa, 63, pai de Wânia e avô de Vitória, conseguiu, entre lágrimas, pedir às autoridades mais segurança para a região onde vive.

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