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Em discurso, Renan critica governo Lula

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| Folhapress Brasília Em seu discurso de fim de ano, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), criticou ontem duramente o governo federal, ao dizer que falta empenho na aprovação de reformas. ?Errou o Executivo ao abandonar as reformas tributária e política. Falta um dínamo político para que elas sejam realizadas?, disse Renan. Ele também atacou pontos da política econômica, dizendo que há uma ?overdose? de juros na economia, além de um superávit primário (economia para pagamento de juros) ?excessivo?. Em uma discordância frontal com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Renan afirmou que as insinuações de tendências golpistas não passam de ?paranóia?. Lula, na semana passada, acusou a oposição brasileira de ser equivalente à venezuelana, que orquestrou um malsucedido golpe contra o presidente daquele país, Hugo Chávez, em 2002. ?A paranóia inventou até um golpismo midiático. Àqueles que sugeriram conspirações e maquinações antidemocráticas está aí o mais expressivo exemplo de que as instituições estão sólidas e exercendo suas funções com independência?, declarou Renan. Para ele, a crise política é ?pedagógica? e tem elementos positivos. ?O País amadureceu e criou anticorpos naturais contra novas crises??, afirmou. O discurso forte de Renan vem dias depois de ele contrariar o governo e defender a convocação extraordinária do Congresso. Líderes governistas esperam que seja apenas um reposicionamento tático do presidente do Senado, que tenta se credenciar como um defensor do Legislativo e não o início de um rompimento com o Palácio do Planalto. O presidente do Senado disse ainda que o Legislativo ?não é uma possessão? do Poder Executivo. ?O dia-a-dia demonstrou que não há vassalagem e que o Legislativo não é uma possessão do Executivo. A genuflexão [ato de ficar de joelhos], definitivamente, não é a nossa vocação?, afirmou. NOVO SENADOR A Mesa Diretora do Senado empossou ontem o senador Gilvan Borges (PMDB-AP) para ocupar o lugar do senador João Capiberibe (PSB-AP), cuja cassação da diplomação foi homologada anteontem. A Mesa Diretora do Senado determinou anteontem, pela segunda vez em 47 dias, a cassação do mandato do senador João Capiberibe (PSB-AP) em cumprimento a decisão da Justiça Eleitoral. Gilvam Borges (PMDB-AP) deve tomar posse ontem no lugar dele. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o mandato de Capiberibe e da mulher dele, a deputada Janete Capiberibe (PSB-AP), em 27 de abril de 2004. Capiberibe foi acusado de pagar R$ 52,00 a duas eleitoras em troca de voto. O casal recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas o tribunal manteve a cassação. Em 26 de outubro passado, Gilvam Borges tomou posse. Uma liminar do Supremo permitiu, porém, que Capiberibe reassumisse o mandato para se defender no Senado.

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