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Nº 5731
Nacional

Conselho repudia absolvi��o de Queiroz

| Fábio Zanini, Silvio Navarro e Adriano Ceolin Folhapress Brasília - O dia seguinte da folgada vitória do deputado Romeu Queiroz (PTB-MG) no processo que pedia sua cassação foi de perplexidade e recriminações ontem na Câmara. A oposição e o Conselho de

Por | Edição do dia 16/12/2005 - Matéria atualizada em 16/12/2005 às 00h00

| Fábio Zanini, Silvio Navarro e Adriano Ceolin Folhapress Brasília - O dia seguinte da folgada vitória do deputado Romeu Queiroz (PTB-MG) no processo que pedia sua cassação foi de perplexidade e recriminações ontem na Câmara. A oposição e o Conselho de Ética manifestaram preocupação e repúdio ao que foi definido como uma “goleada” aplicada por Queiroz, que conseguiu 250 votos pela absolvição. Votaram na cassação apenas 162 deputados, 95 a menos do que seria necessário para confirmar o relatório do conselho. “Quebraram uma tradição [de não seguir o voto do conselho]. Não posso dizer que abre um precedente, mas é ruim”, declarou o presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP). Também integrante do conselho, Nelson Trad (PMDB-MS) se disse “muito preocupado” com “acertos” que possam ter ocorrido. Ou seja, PT, PP e PL votariam favoravelmente a Queiroz e receberiam apoio dos petebistas para seus próprios cassáveis. O líder do bloco de oposição na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA), afirmou que “os números [placar] podem sugerir que houve um acordo”. “A tendência desses processos tem de ser referendar a decisão do Conselho de Ética. A Câmara cometeu um erro, o PFL não participou de acordo nem vai participar”, disse. O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), foi ainda mais duro. Atribuiu o placar do plenário “a um equívoco” do presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP). “Foi um resultado surpreendente, a votação não deveria ter sido realizada num dia atípico, de final de legislatura. Houve um equívoco grave por parte do presidente da Câmara. Foi inoportuna e a sociedade reage negativamente”, afirmou. Partidários de Queiroz dizem, no entanto, que pelo menos dez integrantes da bancada pefelista (que tem 61 deputados) votaram contra a cassação, uma vez que o processo do petebista guarda semelhanças com o de Roberto Brant (PFL-MG). Ambos receberam dinheiro “não-contabilizado” da Usiminas por meio da agência SMP&B, da qual o publicitário Marcos Valério foi sócio. Para escapar, Queiroz teve a ajuda de vários e poderosos “padrinhos”. Contou com o engajamento do ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, também do PTB, que passou a semana telefonando para parlamentares, pedindo votos. ### Petista diz que houve boca-de-urna Adriano Ceolin Folhapress Brasília - O deputado Mauro Passos (PT-SC) acusou ontem o peemedebista Oswaldo Biolchi (PMDB-RS) de ter feito campanha de boca-de-urna anteontem durante a sessão da Câmara em que foi votado o pedido de cassação do mandato de Romeu Queiroz (PTB-MG), absolvido por 250 votos a 162. Passos solicitou, por meio de representação à Mesa Diretora da Câmara, a cassação do mandato de Biolchi. Segundo Passos, o peemedebista teria entregue cédulas de votação com indicação de voto “não” (favorável a Queiroz) a deputados que se encontravam na fila de uma das cabines onde se encontravam as urnas. “Fui assediado pelo deputado Biolchi que me entregou um envelope com voto não”, disse Passos. “Me recusei a receber e avisei ao Inocêncio Oliveira [deputado do PL-PE que presidia a sessão]”, completou. Passos citou o deputado Chico Alencar (P-Sol-RJ) como sua testemunha. “Confirmo plenamente. Houve boca-de-urna para a votação do ‘não’. Vi quando Biolchi pegou uma cédula e deu para o deputado Passos”, disse Alencar. Segundo o parlamentar do P-Sol, os deputados petistas Antonio Biscaia (RJ) e Ricardo Berzoini (SP) também teriam presenciado o ato. O deputado Oswaldo Biolchi negou as acusações. Explicou que foi empurrado quando estava na cabine de votação e acabou saindo do local com uma cédula na mão. ### Cassáveis comemoram absolvição Folhapress Brasília Os próximos deputados no corredor das cassações por envolvimento com o dinheiro repassado pelo publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza comemoraram a absolvição de Romeu Queiroz (PTB-MG), dizendo que ela sinaliza para outras decisões semelhantes. Apesar de repetirem o bordão de que “cada caso é um caso”, os cassáveis afirmaram que a vitória de Queiroz é altamente simbólica. “Algumas lições podem ser tiradas. A Câmara deu o recado de que a cassação, para ocorrer, precisa de fatos muito mais sérios”, afirmou José Mentor (PT-SP), que recebeu dinheiro para seu escritório de advocacia por intermédio de uma das empresas do publicitário Marcos Valério de Souza. Outro petista, Josias Gomes (PT-BA), declarou que está otimista. “Se fez justiça. Cada votação tem seu momento, suas condições, e o que aconteceu me deixou bastante otimista”, disse o deputado. Gomes é autor de um saque da conta de Valério no Rural, para a qual deixou sua própria carteira de parlamentar. O presidente nacional do PP, deputado Pedro Corrêa (PE), considera que a Câmara “sensibilizou-se” com os argumentos apresentados por Queiroz, e por isso acabou tomando a decisão de absolvê-lo. Corrêa é apontado como beneficiário do esquema, mas diz que o dinheiro foi enviado pelo PT para pagar honorários advocatícios do deputado Ronivon Santiago (PP-AC).

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