Nacional
Justi�a nega habeas-corpus a �ndios
| FOLHA ONLINE Porto Alegre O Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre (RS), negou ontem um pedido de habeas-corpus em favor de oito índios da etnia caigangue que foram presos na segunda-feira em Chapecó (SC). Os oito índios são acusados de cárcere privado, por manter sete pessoas sob seu poder durante uma manifestação no último dia 19, na qual pediam agilidade na demarcação das reservas. Durante a tarde, cerca de vinte lideranças de Toldo Chimbangue e Toldo Pinhal - reservas das quais fazem parte - aguardavam na sede da Funai, em Chapecó, o desfecho da história. No dia anterior, havia ao menos mais 50 índios, que chegaram a realizar protestos no órgão contra as prisões. CLIMA TENSO O administrador da Funai em Santa Catarina, João Batista Oselame, disse que teme uma revolta. ?O clima é de intranqüilidade.? Segundo ele, as prisões foram ?arbitrárias? e só deveriam ocorrer caso os índios fossem condenados pela Justiça. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) também emitiu uma nota na qual disse considerar as prisões ?injustas?, e que os dois caciques que foram detidos não estavam nem sequer no local. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário, ?está em curso mais um capítulo da antiga estratégia de criminalizar pessoas que lideram os grupos e povos na luta que estes desenvolvem para conquistar e garantir direitos à dignidade, à justiça e à vida?. ?Em Santa Catarina, as terras dos índios e os seus direitos têm sido desrespeitados em função de interesses econômicos, políticos e eleitorais?, diz a nota divulgada pelo Conselho Indigenista Missionário. Os oito índios, levados ao presídio regional de Chapecó pela polícia por causa da confusão, continuam presos.