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Deputados n�o devolvem sal�rio extra

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| Isabel Braga O Globo Brasília - O líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ), reagiu na manhã ontem à posição de alguns deputados que não cumpriram a promessa de doar a instituições beneficentes os pagamentos extras referentes à convocação extraordinária: ?Cada um faz o que quer com o dinheiro que recebe, mas quem anunciou que vai doar tem que concretizar. Pessoalmente, acho que a única devolução possível deve ser feita para os cofres públicos. Qualquer coisa fora disso tem intenção eleitoral. Quem quer ajudar as entidades tem um outro caminho que é através da inclusão de emendas ao Orçamento. Esse é o caminho correto e transparente?, disse. O deputado afirmou que não tem a intenção de devolver ou doar o dinheiro, equivalente a dois salários de R$ 12,5 mil: ?Estou trabalhando e não estou fazendo nada de errado?. Segundo Rodrigo Maia, o PFL já conseguiu um consenso para acabar com o pagamento de remuneração extra em caso de autoconvocação. O deputado disse, no entanto, que ainda existem divergências, na legenda, em relação ao pagamento no caso de convocação do Congresso pelo Executivo. ?Ainda estamos discutindo os casos em que a convocação é feita pelo Executivo. Se cai para apenas um salário ou se acaba de vez com o pagamento?, concluiu. Já o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) considerou que essas atitudes dos parlamentares que não cumpriram a promessa de doar os salários extras provocam mais desgaste na imagem da Câmara. ?O desgaste da hora, aqui na Câmara, vem dessa história de prometer doar o extra e não fazê-lo?, disse o deputado, um dos que indicaram entidades para a Câmara repassar as duas parcelas do salário extra. ### Uso eleitoreiro dos recursos constrange parlamentares ROSE ANE SILVEIRA Folhapress Brasília - O líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS), afirmou ontem estar preocupado com a onda de denuncismo que assola o Congresso. Fontana evitou comentar as novas denúncias sobre a doação dos recursos pagos a mais pela convocação extraordinária. Alguns deputados afirmam ter repassado o dinheiro da convocação para instituições de caridade. Algumas entidades, no entanto, negam ter recebido as doações. ?Temos que ter cuidado com a onda de denuncismo. Se for comprovado, é quebra de decoro parlamentar.? Ao todo, cada um dos 513 deputados e 81 senadores deve receber R$ 25 mil a mais, além do salário normal de R$ 12.800, pela convocação extraordinária. Somado às despesas extras, a convocação, feita pelo período de 16 de janeiro a 14 de fevereiro - mas só haverá votações no Congresso a partir da próxima semana - vai custar, aos cofres públicos, aproximadamente R$ 95 milhões. Um dos deputados acusados de ter prometido os recursos e ainda não ter repassado o dinheiro para as instituições de caridades citadas no requerimento feito à Câmara, Júlio Delgado (PSB-MG), mostrou indignação com as acusações. De acordo com o regimento da Câmara, cada deputado deve indicar aos órgãos competentes da Casa para quais instituições de caridade querem doar os recursos da convocação. ?Eu esperava o anonimato da doação. Fica realmente parecendo um ato eleitoreiro divulgar para quem se vai dar o dinheiro. A imprensa procurou instituições que não foram as citadas por mim no requerimento da Câmara. Então é lógico que não, vocês não vão achar as doações?, afirmou Delgado. Segundo o deputado, ele doou o dinheiro para a Sociedade São Vicente de Paula, do município de Lima Duarte, próximo a Juiz de Fora, que é o seu reduto eleitoral. ?Ligaram para uma das dez centrais da Sociedade São Vicente de Paula em Juiz de Fora. Eles nunca ouviram falar mesmo de doação minha?, justificou Delgado.

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