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Deputado � suspenso ap�s den�ncias

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Rubens Valente, Fernanda Krakovics e Adriano Ceolin Folhapress Brasília - A direção nacional do PDT decidiu, ontem, suspender a participação do deputado federal João Herrmann (SP) nas atividades partidárias até o fim das investigações sobre os depósitos na conta bancária do parlamentar, feitos pela empresa Beta e detectados pela CPI dos Correios. Herrmann é suspeito de ter recebido R$ 79 mil entre 2003 e 2005. A CPI investiga se o pagamento era em troca de vantagens na estatal. ?A denúncia é muito forte, cheques, contas, tudo apurado pela CPI. Temos que preservar a imagem do partido?, disse ontem o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi (RJ). Na prática, significa que Herrmann não poderá participar de reuniões de bancada e outras decisões partidárias. Se perder a legenda definitivamente, Herrmann não tem mais como se filiar a outro partido a tempo de disputar as próximas eleições. Esse prazo expirou em outubro. Lupi contou ter tentado falar por telefone inúmeras vezes com Herrmann desde a última quarta-feira para obter um esclarecimento sobre os depósitos. Mas não teve sucesso. Em nota, o ex-dono da Beta Antônio Augusto Morato Leite Filho negou ter dito, em sessão fechada na CPI, em setembro último, que Herrmann recebia recursos da empresa - o que acabou confirmado pela quebra do sigilo bancário da empresa. O empresário afirmou ter citado o deputado como um defensor de interesses da empresa. ?A respeito da Beta, limitou-se a informar à CPI que Herrmann esteve empenhado, ao lado da Beta, de dezenas de outros importantes políticos e de várias grandes empresas nacionais, nos esforços para viabilizar o projeto de pavimentação da BR-163 (Cuiabá-Santarém)?, diz a nota. O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), marcou para a próxima segunda-feira reunião com o corregedor-geral da Casa, deputado Ciro Nogueira (PP-PI), para analisar as denúncias contra o deputado João Herrmann. Aldo contou ainda que, também na segunda-feira, ele deverá se encontrar com Herrmann. ?Ele solicitou uma audiência para oferecer as explicações sobre o episódio?, afirmou. ### Serraglio vê indício de favorecimento FOLHAPRESS Brasília O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), disse ontem que os R$ 79 mil recebidos pelo deputado pode ser pagamento em troca de vantagens na Beta. ?Pode ser uma fonte de alimentação de cooptados, tendo em vista que as linhas aéreas apresentaram superfaturamento e os dados já enviados pelos bancos não correspondem nem a 60% do total?, disse Serraglio. O relator pretende ir ao Banco Central na próxima semana para reclamar que os bancos Real, BankBoston e Safra não estariam colaborando com a CPI. O sub-relator de contratos, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), que investiga esse caso, estava no interior de São Paulo, ontem, incomunicável. Nota divulgada pela assessoria de imprensa do petista afirma que ele analisará os novos documentos recebidos pela CPI para o prosseguimento das investigações. Relatório preliminar da CPI apontou um superfaturamento de R$ 64 milhões nos contratos da Skymaster e da Beta, que teriam um ?conluio? nos Correios. As empresas negam. Herrmann trocou o PPS pelo PDT em 2004. Até janeiro daquele ano, o Ministério das Comunicações e os Correios eram controlados pelo PDT. O deputado apresentou seis emendas, em 2001, ao projeto de lei que criou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Em uma delas cria o conselho de gestão da agência, de caráter consultivo, no qual os operadores de serviços de transporte têm assento, com o objetivo de ?fornecer, à diretoria da Anac, subsídios para estabelecer os princípios, as diretrizes e o plano de ação da autarquia?. Outras duas propostas restringem a atuação de empresas estrangeiras no setor. ### Ministros são testemunhas de petistas Silvio Navarro e Adriano Ceolin Folhapress Brasília - Na fila dos deputados ameaçados de perder o mandato por envolvimento no escândalo do mensalão, petistas que enfrentam processos de cassação no Conselho de Ética buscaram o respaldo de ministros do governo Lula para se defender. A estratégia de arrolar testemunhas que figuram no primeiro escalão do governo foi utilizada por João Magno (MG) e José Mentor (SP), dois dos cinco petistas que serão julgados pelo conselho. A escolha de ?testemunhas de peso? já havia sido utilizada por José Dirceu (PT-SP), mas isso não evitou sua cassação. Na ocasião, ele arrolou, para defendê-lo, o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), o atual presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e o ex-ministro Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia). Apontado como beneficiário de R$ 350 mil do esquema do empresário Marcos Valério de Souza, o deputado João Magno listou, para testemunhar em seu favor, dois ministros mineiros, Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Hélio Costa (Comunicações), e o ex-titular da Secretaria de Direitos Humanos Nilmário Miranda. Patrus ainda não mandou seu depoimento. Em ofício enviado ao conselho, Hélio Costa respondeu a 12 perguntas feitas pelo relator do processo contra João Magno e outros dez questionamentos do advogado de defesa. Em todas elas, isenta o deputado. Da lista de 11 processos em andamento, a avaliação do conselho é que atualmente o caso mais embaraçoso é o de Vadão Gomes (PP-SP). Nos bastidores, a maioria dos membros do conselho afirma não haver provas contra o pepista. Por isso, seu processo foi empurrado para o final da fila.

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