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Nº 5730
Nacional

Morales quer sociedade com Petrobras

Cláudia Dianni e Pedro Dias Leite Folhapress Brasília - O líder cocaleiro Evo Morales, que toma posse como presidente na Bolívia dia 22, prometeu estabilidade jurídica aos negócios da Petrobras em seu país, em conversa ontem com Luiz Inácio Lula da Silv

Por | Edição do dia 14/01/2006 - Matéria atualizada em 14/01/2006 às 00h00

Cláudia Dianni e Pedro Dias Leite Folhapress Brasília - O líder cocaleiro Evo Morales, que toma posse como presidente na Bolívia dia 22, prometeu estabilidade jurídica aos negócios da Petrobras em seu país, em conversa ontem com Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da estatal brasileira de petróleo, José Sergio Gabrielli, mas anunciou que o governo boliviano vai entrar como sócio dos investimentos da Petrobrás na Bolívia, que somam US$ 1,5 bilhão. A exemplo do que ocorre na China, as empresas, pelo menos do setor energético, que quiserem ficar na Bolívia terão que aceitar a sociedade com o Estado. “O governo vai proteger a propriedade privada porque a Bolívia necessita muito de investimentos público e privado, mas não quer patrões, quer sócios”, disse. Gabrielli, por sua vez, disse que a Petrobras prefere menos lucro a nenhum lucro. “Somos responsáveis, mas vamos exercer o direito de propriedade, o que não significa que vamos expulsar, mas vamos ser radicais com as petroleiras contrabandistas”, disse Morales. A frase sobre “empresas patrões” foi repetida mais tarde por Gabrielli, em entrevista, que disse estar confiante no novo governo. “Não queremos ser patrões dos bolivianos, mas sócios”, repetiu. Apesar das comparações constantes com o venezuelano Hugo Chávez, Morales, que chegou em avião do governo venezuelano e voltou para La Paz em um avião da Força Área Brasileira (FAB), encontrou outro “professor” na América Latina: Lula, a quem chamou de líder da América Latina. “Combinamos que posso ligar para ele sempre que tiver uma dúvida”, disse Morales, depois de almoço com o brasileiro. Segundo ele, por sua experiência de três anos no governo e seu passado militante, assim como o próprio Morales, Lula é uma “espécie de consultor”. Morales não é o primeiro presidente de esquerda eleito na América do Sul a adotar a “escola Lula de governo”. O presidente do Uruguai, Tabaré Vazquez, também já disse que se aconselha com Lula. ### Brasil ajudará Bolívia a montar governo FOLHAPRESS Brasília O presidente eleito da Bolívia, Evo Morales, afirmou que, assim que assumir, todo seu ministério vai entrar em contato com os colegas brasileiros para tratar de acordos comerciais e de cooperação. O assessor especial de Lula para assuntos externos, Marco Aurélio Garcia, afirmou que o Brasil vai ajudar a Bolívia a montar seu governo “enviando funcionários”, mas não deu detalhes. Seu vice-presidente, conhecido como mentor intelectual do futuro governo, Alvaro Garcia Linera, já declarou que a formação do governo vai contar com indígenas, que são 62% da população do país. Com uma camisa de mangas, Morales reclamou do único problema que teve em seu giro de dez dias por oito países nos quatro continentes. “Tive um único problema protocolar. Na Bolívia, os indígenas não têm esse negócio de protocolo”, disse. O boliviano chegou a ser criticado na imprensa européia em sua visita ao continente por usar um suéter - ou “chompa” - em vez de terno. “Vai ver que as pessoas esperavam que eu chegasse lá meio pelado e com penas”, brincou. Depois das críticas que recebeu na Europa, o escritor português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura, saiu em defesa dele. Na França, Morales anunciou que vai convocar uma assembléia constituinte para fazer “profundas reformas estruturais”. Sobre os Estados Unidos e o Fundo Monetário Internacional (FMI), Morales afirmou na entrevista coletiva, que concedeu depois do almoço com Lula, que seu governo é aberto ao diálogo com todos os países e que vai conversar com o FMI sim, se o fundo quiser, mas disse que não sabia que havia uma visita do fundo programada para a Bolívia. No início do mês, o líder cocaleiro esteve na Venezuela e foi recebido por Chávez com honras de chefe de Estado, apesar de ainda não ter tomado posse. Lá Chávez proclamou um “eixo do bem” - em contraposição aos EUA, que acusam alguns de seus adversários de integrarem o “eixo do mal”. Em Brasília, porém, ele evitou o tom de Chávez. “Não vai haver bloco contra os Estados Unidos”, disse.

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