Nacional
Palocci tenta minimizar investiga��es
Hudson Corrêa Luiz Francisco Rubens Valente Folhapress Brasília - Poupado de forma geral de perguntas mais incisivas e elogiado por oito dos 17 senadores que se manifestaram na CPI dos Bingos, o ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) passou seu depoimento de seis horas na comissão, ontem, defendendo antigos e atuais colaboradores nas suas gestões na Prefeitura de Ribeirão Preto e no Ministério da Fazenda. Palocci procurou minimizar todas as investigações conduzidas pelo Ministério Público, as notícias da imprensa e o relatório parcial da CPI dos Bingos que acusam pessoas com quem manteve ou mantém ligações de amizade e de trabalho. O ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner, disse que Palocci teve um desempenho ?absolutamente tranqüilo? e ?muito seguro?. A assessores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também avaliou que Palocci foi bem na CPI. ?O Lídio não foi julgado, não vamos prejulgar as pessoas?, disse Palocci, por exemplo, a respeito de Lídio Duarte, ex-presidente do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), que revelou à revista Veja, em conversa gravada, um suposto esquema de propinas para o PTB. Palocci fez elogios ao seu ex-chefe-de-gabinete Juscelino Dourado, que deixou o cargo em setembro após a revelação de que foi sócio e mantinha contatos telefônicos freqüentes com Rogério Tadeu Buratti, acusado de pedir propina, em nome do PT, para a multinacional de loterias GTech renovar seu contrato com a Caixa Econômica Federal. Buratti foi secretário de Governo de Palocci em 1993. ?O Juscelino não foi demitido. Ele não se deu bem com o ambiente [de suspeição]. É uma pessoa dedicada à administração pública. É uma pessoa muito trabalhadora?, afirmou o ministro. Palocci defendeu também Ademirson Ariovaldo da Silva, seu assessor especial no ministério, a quem o relatório parcial da CPI acusou de participar das atividades de lobby de Rogério Buratti, também no caso GTech. O ministro questionou o relatório da CPI que apontou 1.411 ligações telefônicas entre Ademirson e outro envolvido no escândalo da GTech, Vladimir Poleto, que foi chefe de controle interno da Prefeitura de Ribeirão na segunda gestão de Palocci, em 2001. ?Não estou dizendo que os números são mentirosos, mas parece que fazer 15 ligações em 39 segundos é fisicamente inconsistente. Ele [Ademirson] me disse, numa conversa no meu gabinete, que estranhou isso [o número]. Disse que de 50% a 60% das ligações relatadas pela CPI não ocorreram como conversas, mas tentativas?, disse. ### Ministro não fala sobre quebra de sigilo FOLHAPRESS Brasília - O relator da CPI dos Bingos, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), afirmou que ainda não dá para dizer se Palocci será citado no relatório final. ?Algumas coisas ele explicou, mas outras ele deixou nebulosas?, disse. Os pefelistas César Borges (BA) e Agripino Maia (RN), os tucanos Antero Paes de Barros (MT) e Álvaro Dias (PR), além da senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), fizeram questionamentos mais duros ao ministro. ?Estou convencida de que o senhor está mentindo o tempo todo?, disse Heloísa Helena sobre a ligação do ministro com Buratti. Palocci negava, ao ser questionado pela senadora, que ainda tivesse contatos freqüentes com seu ex-assessor, demitido em 1993 por suspeita de corrupção. Em depoimento à CPI, em agosto, Buratti disse que a prefeitura de Ribeirão Preto recebia R$ 50 mil por mês em propina e o dinheiro ia para o PT em 2001 e 2002, com o conhecimento de Palocci, então no seu segundo mandato de prefeito. Buratti também é suspeito de tráfico de influência no ministério. Logo após a pergunta da senadora, Palocci foi ao banheiro. Após três minutos, retornou e disse: ?A senhora pode chamar de amizade, mas ficou bem distante do que era [o relacionamento após a demissão]. Desde que sou ministro, ele veio uma vez na minha casa com a família?, afirmou. Na lista de defesa do ministro também esteve o motorista Éder Eustáquio Soares Macedo, suspeito de transportar até US$ 3 milhões de um aeroporto em Campinas (SP) ao comitê eleitoral do PT em São Paulo, no dia 31 de julho de 2002. ?Ele é uma pessoa bondosa, muito simples, humilde, religiosa, prestativa. No final vocês vão ver que ele não tem haver com isso?, afirmou. Desde maio, Macedo é motorista do Ministério da Fazenda no Rio. O ministro deixou de responder a pelo menos duas perguntas e não quis confirmar, ao ser indagado pelo senador Antero Paes (PSDB-MT), se vai abrir mão do seu sigilo telefônico. ?Eu vou analisar a sua proposição?, disse Palocci ao senador. A intenção da CPI é comparar os registros telefônicos do então prefeito de Ribeirão Preto com os de empresários da Leão&Leão e de seus ex-colaboradores Rogério Buratti e Ralf Barquete, morto em 2004. Segundo Buratti, entre 2001 e 2002, a pedido do PT e com conhecimento de Palocci, Barquete recebeu recursos da Leão&Leão para financiar um caixa 2.