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Nº 5729
Nacional

Brasil sofre cr�ticas por atua��o na OMC

| Rafael Cariello Folhapress Caracas, Venezuela - Intelectuais que participam do Fórum Social Mundial em Caracas criticaram ontem a atuação do governo brasileiro na Organização Mundial do Comércio (OMC) - justamente uma das “bandeiras” apresentadas pela

Por | Edição do dia 28/01/2006 - Matéria atualizada em 28/01/2006 às 00h00

| Rafael Cariello Folhapress Caracas, Venezuela - Intelectuais que participam do Fórum Social Mundial em Caracas criticaram ontem a atuação do governo brasileiro na Organização Mundial do Comércio (OMC) - justamente uma das “bandeiras” apresentadas pela administração de Luiz Inácio Lula da Silva como tendo pedigree progressista - durante debate de que também participava o secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci. Lori Wallach, diretora da organização de direitos civis dos EUA Public Citizen, e Samir Amin, pensador marxista egípcio, presidente do Fórum Mundial de Alternativas, acusaram o Brasil de, em vez de defender o interesse dos pobres, agir segundo os interesses dos EUA e de outras potências do Primeiro Mundo ao ajudar a fortalecer a OMC, engajando-se em suas discussões. Dulci apresentou o argumento do governo Lula de que o País trata, dentro da organização, de tentar tornar o comércio mundial mais justo e favorável aos países pobres e em desenvolvimento. Amin reagiu aos argumentos do brasileiro dizendo à imprensa que o discurso não passava de “blablablá”. Em sua exposição, disse que a OMC serve só para organizar “o sistema produtivo de forma a permitir a expansão da dominação das forças do capitalismo” e, mais tarde, que o Brasil participa disso. Segundo ele, a alternativa à atuação brasileira deveria ser simplesmente “tirar a agricultura” da agenda do organismo. Amin afirma que a OMC age como uma potência colonial, só que, em vez de ter poder sobre este ou aquele país, controla os continentes pobres. Para Wallach, a OMC se encontrava “à beira do precipício” e perderia sua força, “mas os governos dos EUA, da Europa e do Japão convenceram o Brasil e a Índia a salvá-la”. A atuação, ela disse, é contrária aos interesses da sociedade civil, mas os governos entenderam que era melhor “ter algo que odiamos do que algo que desconhecemos”. A norte-americana saudou o debate que o governo brasileiro faz com sociedade civil e movimentos sociais, mas disse ver contradição entre isso e a atuação do País em negociações internacionais. Em sua resposta, Dulci afirmou discordar de Wallach quando ela afirma que a OMC estaria se enfraquecendo antes da criação do G-20 (grupo de países em desenvolvimento que negociam no organismo capitaneados, entre outros, pelo Brasil). “O que temos tentado fazer é buscar uma articulação dos países do Sul para questionar as regras vigentes no mundo - em muitos casos danosas aos países pobres e aos países em desenvolvimento”, disse o ministro. Dulci qualificou a atuação no Brasil nesse caso e em outros -como na integração latino-americana - como uma nova forma de “internacionalismo”, da qual também fariam parte os movimentos sociais articulados internacionalmente. No passado, disse Luiz Dulci, a atuação dos governos na expansão capitalista se caracterizava por ser reativa, nacional e de fechamento para o mundo. Agora, disse o ministro, os países têm de resolver esses problemas na arena internacional.

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