Nacional
Conselho aprova cassa��o de Corr�a
| Silvio Navarro Folhapress Brasília - O Conselho de Ética da Câmara aprovou ontem, por 11 votos a 3, parecer que recomenda a cassação do mandato do presidente do PP, deputado Pedro Corrêa (PE), por envolvimento no escândalo do ?mensalão?. É o quarto dos 11 processos em curso concluído pelo conselho. O caso segue agora para aval do plenário, que tem autonomia para referendar ou alterar a decisão. O parecer, de autoria do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), sugere a perda do mandato de Corrêa por ter ?ofendido a honradez que deve nortear as relações político-partidárias?. O relator classifica a aliança entre PT e PP, segundo ele costurada a partir de repasses do caixa 2 petista, como ?espúria?. ?Vossa excelência se deu conta de que foram esses repasses que orientaram esse episódio nefasto que envolveram seu nome no ?mensalão???, disse Sampaio a Corrêa. Corrêa é apontado como destinatário de R$ 4,1 milhões do esquema de Marcos Valério de Souza. O pepista diz que recebeu R$ 700 mil, doados pelo PT, usados para pagar o advogado Paulo Goyaz, que defende o ex-deputado Ronivon Santiago (PP-AC) em processos por compra de votos na eleição de 2002. O presidente do PP acompanhou a votação em silêncio. No final da sessão, disse confiar que ?o pensamento do plenário será diferente?. ?Não fiz caixa 2, apenas tive a infelicidade de ser presidente do PP. Mas, certamente, pelo que conheço desta Casa há 27 anos, o pensamento do plenário será diferente?, disse. Ele deverá recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A sessão novamente foi marcada pela atuação teatral do advogado Eduardo Ferrão, que defende de Corrêa. A exemplo da semana passada, ele ficou em pé, com um microfone em punho por 30 minutos, leu poemas e bateu boca com o relator, a quem insinuou que buscava notoriedade com a cassação do pepista. ?A mídia quer sangue e se não cassar ela vai dizer que foi pizza. Então, para não dizer que foi pizza, tem de cassar?, disse. Votaram contra o parecer os dois deputados do PP que integram o conselho, Benedito de Lira (AL) e Sandes Junior (GO), e o suplente José Carlos Araújo (PL-BA). Todos defenderam uma pena mais branda. Dos 11 votos contra Corrêa, a surpresa foi o da petista Ângela Guadagnin (SP), que pela primeira vez optou pela cassação desde o processo contra Roberto Jefferson (PTB-RJ).