Nacional
Na PF, Marcos Val�rio contesta Duda
| Bernardo de la Peña O Globo Brasília - O empresário Marcos Valério afirmou ontem que não foi o responsável pela abertura da conta Dusseldorf numa agência do BankBoston em Miami. Na CPI dos Correios, o publicitário Duda Mendonça disse ter aberto a conta por orientação de Valério para receber no exterior os R$ 10 milhões que o PT lhe devia. ?Ratifiquei todos os meus depoimentos. No meu depoimento eu deixo claro que não fui eu (quem mandou Duda abrir a conta no exterior)?, disse o empresário, em rápida entrevista na porta da Polícia Federal depois de prestar depoimento por três horas. Valério negou ainda ter enviado recursos para outra conta do publicitário baiano no exterior. ?Ratifiquei todos os meus depoimentos e a única coisa que eu cito foi isso, essa conta da Dusseldorf?. Valério também negou ter qualquer relação com a suposta lista de doações ilegais que teria sido organizada pelo ex-diretor de Furnas Dimas Toledo, com nomes de tucanos e parlamentares da base aliada do governo passado. O empresário admitiu ter sido perguntado pelos policiais federais sobre o assunto, mas negou relação com o caso. ?Vi a lista. Não vi os nomes todos porque não conheço o senhor Dimas Toledo. Nunca trabalhei em Furnas. Minhas empresas nunca fizeram nenhuma campanha publicitária lá?, afirmou. Nesta semana, o ex-deputado Roberto Jefferson, que denunciou o suposto esquema do mensalão, teria citado a lista de Furnas em depoimento na PF. A DNA Propaganda, uma das agências de Valério, aparece na lista que está sendo investigada pela PF - que ainda não conseguiu demonstrar se o documento é autêntico ou não - como uma das doadoras de dinheiro do esquema. Dimas nega ter feito a lista e ter funcionado como arrecadador de recursos para campanhas do PSDB. No depoimento, Valério admitiu ter repassado R$ 4 milhões para a campanha de 1998 ao governo de Minas Gerais do tucano Eduardo Azeredo para pagar o trabalho de Duda Mendonça. Valério disse aos policiais federais que o dinheiro foi repassado por ele a um dos coordenadores da campanha de Azeredo, Cláudio Mourão, que teria sido o responsável pelo pagamento ao publicitário. Valério disse ainda ter certeza de que vai ser indiciado pela PF e afirmou estar colaborando com a Justiça. ?Vou ser indiciado e vou me defender na Justiça?.