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Lula vetar� renegocia��o de d�vida
| FELIPE RECONDO Folha Online Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetará a proposta aprovada na terça-feira pelo Senado de renegociação das dívidas de agricultores do Nordeste e deve editar nas próximas semanas uma medida provisória com regras diferenciadas para beneficiar os pequenos e médios produtores. O texto aprovado anteontem, que também já havia passado na Câmara, estabelece prazo de 25 anos para a amortização das dívidas e dá quatro anos de carência para os agricultores endividados. Impacto Além disso, os juros cobrados sobre os recursos poderiam ser negativos no caso dos pequenos agricultores e chegariam no máximo a 2% ao ano para dívidas maiores. O impacto dessa regra seria R$ 16,7 bilhões, levados em consideração apenas os contratos do Banco do Nordeste. Mais grave, na opinião do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), é o impacto gerado caso 519 grandes produtores entrem na nova regra: R$ 6 bilhões. ?Esse valor é todo o Bolsa-Família do ano passado?, afirmou Mercadante. ?Não é justo dar R$ 6 bilhões para apenas 519 pessoas?, acrescentou. Grandes ficam de fora A medida provisória em estudo pelo governo estenderia as regras já usadas hoje por parte dos agricultores para produtores que não estão beneficiados. Nesse caso a dívida seria paga no prazo de 10 anos com juros de 8,75% ao ano. Mercadante disse não saber qual seria o impacto fiscal da medida, mas adiantou que atenderia a 31 mil contratos. A MP atenderia apenas pequenos e médios agricultores. Em valores, atenderiam a produtores com contratos de R$ 50 mil. Grandes agricultores ficariam de fora. ?Com os grandes não tem acordo com o governo?, declarou Mercadante. De acordo com o líder governista, parcela dos senadores que votou em favor do projeto não estava interessada em negociar termos que evitariam o veto do projeto no Planalto. A intenção, na opinião de Mercadante, era levar adiante a proposta, derrubar posteriormente o veto no Congresso e estender a regra para os demais Estados. ?Isso desestruturaria o mercado de crédito?, afirmou o líder do PT no Senado.