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Nº 5736
Nacional

Pai � favor�vel pela eutan�sia do filho

| Fábio Takahashi Folhapress Monitorado com equipamentos hospitalares 24 horas por dia e com o acompanhamento de profissionais da saúde, o garoto Jhéck Breener de Oliveira, 5, pivô de um caso de repercussão internacional, foi transferido na última quin

Por | Edição do dia 19/02/2006 - Matéria atualizada em 19/02/2006 às 00h00

| Fábio Takahashi Folhapress Monitorado com equipamentos hospitalares 24 horas por dia e com o acompanhamento de profissionais da saúde, o garoto Jhéck Breener de Oliveira, 5, pivô de um caso de repercussão internacional, foi transferido na última quinta-feira do hospital Unimed de Franca (SP), onde ficou internado por nove meses, para a sua casa, na periferia da cidade. EUTANÁSIA O garoto é filho da costureira Rosemara Santos de Souza, 22, e do recepcionista Jeson de Oliveira, 35. Em agosto do ano passado, o pai ameaçou entrar na Justiça para pedir autorização para realizar a eutanásia no filho. Oliveira desistiu no dia em que o documento seria protocolado no Fórum de Franca. Portador de doença degenerativa do sistema nervoso central, o menino não tem mais chances de recuperação: perdeu os movimentos dos braços, das pernas e do pescoço, além da fala. Respira com a ajuda de aparelhos e se alimenta por meio de uma sonda. UTI O quarto do menino se assemelha a uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva), com equipamentos como respirador mecânico, oxímetro de pulso, cama hospitalar, colchões e suporte de soro. A tensão elétrica da casa foi alterada e rampas de acesso foram instaladas. A reforma foi paga pelo hospital e os aparelhos foram liberados pela Secretaria de Estado da Saúde, a um custo de R$ 52 mil. “Fiquei internada com ele. Dá um frio na barriga, mas Deus vai me ajudar a cuidar dele. Com o tempo pegarei o jeito”, disse a mãe. Como precisa de apoio constante, Jhéck receberá diariamente fisioterapeutas, enfermeiros, assistentes sociais e nutricionistas. ### Caso de Jhéck é polêmico e repercute no exterior Mãe de Jhéck não vai permitir visita do ex-marido, que tentou desligar os aparelhos, e acredita no avanço da ciência para salvar o filho | Marcelo Toledo Folhapress A tia de Jhéck, Roseli Souza, afirmou que a luta agora é para que a família consiga pagar a conta de energia elétrica, estimada em R$ 600, já que os aparelhos ficam ligados 24 horas por dia. A mãe, que não está trabalhando, vive com R$ 300 do auxílio-doença do filho e paga R$ 76 por mês da prestação da casa. A intenção do recepcionista de Franca Jeson de Oliveira, 35, de praticar a eutanásia no filho - prática pela qual se busca abreviar a vida de um doente incurável sem dor ou sofrimento e que é proibida no Brasil - teve repercussão internacional. Uma comunidade ligada à Igreja Católica e composta por 15 mil brasileiros na região de Boston (EUA), por exemplo, se dispôs a auxiliar financeiramente a família de Jhéck Breener de Oliveira. De acordo com o grupo, era inconcebível o pai querer a morte do filho. “Ele não vai melhorar e prefiro que morra a viver assim. Deus poderia levá-lo”, voltou a dizer o pai do garoto, ao saber que, segundo o hospital, o estado de saúde da criança é o mesmo. Rosemara disse que não vai permitir a visita do ex-marido -ele tentou desligar os aparelhos no hospital. O recepcionista se inspirou exatamente na experiência do local de onde vem o apoio ao seu filho, os Estados Unidos. Oliveira afirmou ter se baseado no caso de Terri Schiavo, 41, que no ano passado teve desligados os aparelhos que a mantinham viva, após batalha judicial travada entre o marido dela e os pais. Rosemara dos Santos Souza, mãe de Jhéck, por sua vez, afirma ter consciência da gravidade da doença que atinge o filho, mas disse que espera o avanço da ciência para salvá-lo.

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