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Publicit�rios apostam na TV digital
| Folha Online São Paulo Imagine comprar um vestido da personagem da novela das oito com apenas um clique na tela da TV ou a última revista em que aparece Reynaldo Gianecchini apertando apenas um botão do controle remoto. Muito além da imagem de definição perfeita, portabilidade e mobilidade, publicitários sonham, sobretudo, com a interatividade uma das principais mudanças que virão com a TV digital. Na primeira etapa da nova TV, serão comercializados decodificadores (aparelho que decodifica a transmissão digital para os televisores analógicos) que devem introduzir a era das imagens de alta definição. Segundo relatório do CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), a TV digital será uma realidade em todo o País no prazo de aproximadamente seis anos após o início das primeiras transmissões. Mas a grande inovação da digitalização virá, na opinião de profissionais do mercado, mais tarde, com a substituição dos aparelhos e a interatividade em um prazo de dez anos. ?Será uma revolução sem precendentes, que a gente não consegue tangibilizar?, diz Toninho Rosa, presidente da Dainet. COMODIDADE Rosa tem um termo específico para tratar da nova propaganda que vai nascer da convergência da TV e da internet: o t-commerce. ?Os 30 segundos vão morrer. A propaganda vai deixar de ser tão intrusiva. O consumidor não quer mais ser obrigado a assistir a um bloco de comerciais.? Entre as vantagens do t-commerce está, sem dúvida nenhuma, a maior comodidade. Do seu sofá, o consumidor poderá fazer compras dentro do espaço e do conteúdo da programação da TV, diz Rosa. Segundo o publicitário, o t-commerce também leva vantagem sobre o e-commerce. ?O e-commerce é horrível porque você está sentado na frente do computador, mas ao assisitir TV você está a 30º graus, deitado na cama ou no sofá e assim é mais fácil clicar e comprar produtos e serviços.? Publicitários calculam que as mudanças de padrões de consumo ocorram ainda mais cedo porque o brasileiro gosta de novidades. ?O brasileiro, principalmente o consumidor de Brasília, Rio e São Paulo tem uma característica de ?early adopters?, ou seja, aqueles que compram as novidades?, afirma Aluizio Falcão Filho, vice-presidente da área de conteúdo da agência Matos Grey. ### Governo vai divulgar relatório sobre TV Na semana passada, especulações em torno das conclusões da Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) a respeito da pesquisa da TV digital movimentaram Brasília. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, que inicialmente havia alegado sigilo e que as ?informações privilegiadas? eram privativas do presidente da República, voltou atrás e disse que as conclusões serão divulgadas. ?É um dever divulgar. É obrigatório divulgar. Agora, me dê um espaço, por favor, até nós sabermos direitinho o que nos mandaram. Tem ministros que ainda não leram o relatório?, disse o ministro, após ter sido informado que o documento do CPqD, com 141 páginas, havia vazado para o site Teletime News. ?Estamos lendo os relatórios, estamos analisando os relatórios. Vendo todos os detalhes?, completou Costa. Mesmo sem revelar o conteúdo do relatório feito pelo CPqD, o ministro disse que o documento possui ?incoerências?, e contestou os valores apontados pelos pesquisadores como preços de referência para o conversor da TV digital, que estariam próximos de US$ 400, segundo ele. ?Não é verdade?, disse o ministro, ao comentar que existem fabricantes que já disseram ser possível produzir o conversor a um preço entre US$ 43 e R$ 50. Outra crítica ao trabalho dos pesquisadores e do CPqD, foi o prazo de entrega dos resultados. ### Implantação deve levar cerca de 6 anos PATRICIA ZIMMERMANN Folha Online Brasília - A TV digital só será uma realidade em todo o País no prazo de aproximadamente seis anos (72 meses) após o início das primeiras transmissões, segundo relatório da pesquisa realizada ao longo do último ano para a escolha do sistema brasileiro de TV digital. O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), responsável pelo relatório final dos trabalhos, estima que nos três primeiros anos apenas as cinco maiores emissoras do País (Globo, Record, SBT, Bandeirantes e Rede TV) e a maior emissora pública (Radiobrás) farão transmissões digitais. Nos seis primeiros meses das transmissões, apenas as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e São Paulo receberiam o sinal digital, segundo aponta o documento. Ao final do primeiro ano, as transmissões digitais chegariam, então, às regiões metropolitanas com mais de 2 milhões de habitantes, além de Brasília. Para as capitais e cidades com mais de 300 mil habitantes, o prazo previsto é de 24 meses. No terceiro o ano seguinte, ainda com transmissão apenas das cinco principais redes comerciais e uma pública, os sinais digitais chegariam aos municípios com mais de 100 mil habitantes. Geradoras passariam a transmitirapós quatro anos, chegando a todo o país em seis anos.