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Nº 5730
Nacional

PT e PFL discutem por causa de Fundos

| Leonardo Souza Folhapress Brasília - Fundos de pensão federais investigados pela CPI dos Correios tiveram forte concentração de aplicações, em 2004, nos bancos BMG e Rural. Dos 14 fundos que tiveram suas contas inicialmente analisadas pela CPI, nove e

Por | Edição do dia 22/02/2006 - Matéria atualizada em 22/02/2006 às 00h00

| Leonardo Souza Folhapress Brasília - Fundos de pensão federais investigados pela CPI dos Correios tiveram forte concentração de aplicações, em 2004, nos bancos BMG e Rural. Dos 14 fundos que tiveram suas contas inicialmente analisadas pela CPI, nove elevaram seus investimentos de R$ 48,82 milhões, em 2003, para R$ 533 milhões no ano seguinte. Os dados foram apresentados ontem pelo deputado ACM Neto (PFL-BA), sub-relator da CPI, que considerou as aplicações “um inequívoco direcionamento’’ para “compensar’’ os bancos pela participação no esquema do empresário Marcos Valério de distribuição de recursos ao PT e aliados. As conclusões e os números apresentados por ACM Neto foram contestados pela líder do PT no Senado, Ideli Salvati (PT-SC). Ela apresentou levantamento em que a Secretaria de Previdência Complementar constatou que fundos privados e de empresas públicas estaduais aplicaram em 2004, nos dois bancos, mais do que os federais, o que representaria um movimento de mercado. Segundo o relatório do deputado, alguns fundos nem sequer tinham investimentos no Rural e no BMG até 2002, vindo a comprar Certificados de Depósito Bancário (CDBs) ou cotas de fundos de investimento das duas instituições só entre 2003 e 2004. Foi o caso de Funcef (Caixa Econômica Federal), Nucleos (estatais nucleares), Portus (portuários) e Previ (Banco do Brasil), que aplicaram em títulos dos bancos pela primeira vez em 2004, quando compraram R$ 84,7 milhões. “Há uma relação direta dos fundos de pensão com esses dois bancos envolvidos no esquema do senhor Marcos Valério’’, disse ACM Neto, que fez um paralelo entre as aplicações nos bancos e os saques nas contas da SMPB e DNA, as agências que Valério usou para distribuir o dinheiro. Os saques somaram cerca de R$ 55 milhões entre janeiro de 2003 e dezembro de 2004. O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), concordou com as conclusões. “Estamos falando de números, e eles falam por si mesmo’’, disse. Argumentos Professora de matemática, Ideli argumentou que os números “podem ser ajustados’’ segundo interesses de quem os manipula. Segundo o levantamento mostrado pela senadora, cerca de 70 fundos, a maioria privados e estaduais, aumentaram as aplicações no BMG e no Rural em 2004. ACM Neto rebateu dizendo que só tinha como analisar os 14 fundos que tiveram a quebra de sigilo autorizada pela Justiça. “O convencimento [sobre a relação das aplicações dos fundos com os saques das contas de Valério] é o convencimento político, porque matemático não tem sustentação’’, disse a senadora. Dos 14 fundos analisados, Prece (Cedae) e Sistel (Sistema Telebrás) foram excluídos. O primeiro por ter tido seu sigilo impedido de ser usado devido a uma liminar concedida pelo STF e por ser um fundo estadual. O segundo, por ser hoje privado. Também investiram no BMG e no Rural Eletros (Sistema Eletrobrás), Real Grandeza (Furnas), Petros (Petrobras), Postalis (Correios) e Serpros (Serpro). Portus (portuários), Geap (servidores federais) e Refer (ferroviários) não tinham investimentos no Rural e no BMG.

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