Nacional
Lamas � indiciado pela Pol�cia Federal
| Andréa Michael Folhapress Brasília - A Polícia Federal indiciou ontem o ex-tesoureiro do PL Jacinto Lamas sob acusação de sonegação, uma modalidade de crime contra a administração pública, e lavagem de dinheiro. Ele sacou cerca de R$ 1,65 milhão das contas de Marcos Valério. O dinheiro irrigou o esquema do mensalão, segundo investigações. Lamas teria feito o saque por ordem do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que renunciou ao mandato de deputado depois que se tornou público o esquema ilegal de repasse de dinheiro intermediado por Marcos Valério, sob orientação do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares. Na condição de sacador, Lamas é participante de um esquema ilegal de movimentação de dinheiro no qual o ex-deputado surge como beneficiário. Ele não quis dar declarações e em seus depoimentos diz apenas ter cumprido ordens de Valdemar. Acordos e relações Conforme uma lista entregue por Marcos Valério ao Ministério Público e à PF, os repasses do mensalão destinados ao PL somam R$ 10,8 milhões. Valdemar diz que os repasses para o PL foram parte de um acordo firmado com o PT em 2002. Diz também que o dinheiro serviu para pagar gastos do PL com a campanha que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva presidente. O presidente do PL nega ter relação com as empresas Guaranhuns e Bônus-Banval a ele relacionadas na lista de Valério. Admite apenas que, no caso da Bônus-Banval, assessores de sua campanha pegaram dinheiro emprestado com um sócio da corretora para cobrir despesas de 2002. Lamas é o terceiro maior sacador dos recursos destinados ao mensalão. Tornou-se o quinto indiciado no inquérito que investiga o caso, ao lado do sócio da Guaranhuns José Carlos Batista, do publicitário Duda Mendonça e dos assessores políticos Rodrigo Fernandes e José Luiz Alves. Após o Carnaval, a PF enviará o inquérito do mensalão novamente ao Supremo Tribunal Federal. Até lá, a lista de indiciamentos deve ganhar novos nomes. Os mais prováveis, além de diretores do Banco Rural, são Valério, o ex-presidente do PT José Genoino e Delúbio Soares. Pesa contra esse grupo a acusação de praticar crime contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro.