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Mocidade leva 50 anos para a avenida

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PAULA AUTRAN DANIEL PEREIRA O Globo e Globo Online No ano em que completa cinqüenta carnavais, a Mocidade celebra sua eterna mocidade com ?cabeça nas nuvens (quantas viagens pelo espaço sideral!) e pés no chão (na mais profunda raiz brasileira)?, segundo a sinopse do desfile. Valendo-se do enredo A vida que pedi a Deus, o carnavalesco Mauro Quintaes vai ao futuro e transforma os Cavaleiros do Apocalipse nos Cavaleiros da Apoteose (paz, fartura, saúde e equilíbrio) para concluir que a melhor forma de viver é juntar o passado, o índio tupiniquim de Fernando Pinto, à tecnologia futurística de Renato Lage, antecessores que deram identidade à escola de Padre Miguel. Confuso? Só até a escola entrar na avenida bem verde-e-amarela (uma referência ao nacionalismo delirante e irreverente de Fernando Pinto), mas com efeitos de luz, neon, carros vazados e linhas leves (no melhor estilo Renato Lage), para levar uma mensagem de bem-viver. Entre os destaques, carros como o da saúde, que remete à estrutura do DNA; e o da fartura, com uma árvore erguida por profissionais vindos de Parintins, ao lado da qual virá Marcos Palmeira, como destaque. PASSARELA DO MESTRE A Viradouro quer pavimentar seu caminho rumo ao título em grande estilo. Com o melhor do barroco, do neogótico, do art nouveau, do modernismo... e até da arquitetura espacial. Arquitetado por Milton Cunha, Mário Monteiro e Kaká Monteiro, o enredo ?Arquitetando folias? levará à avenida prédios como o Museu de Arte Contemporânea, de Niterói; o Palácio da Alvorada, de Brasília; a Ilha Fiscal, do Rio; pontes e favelas. ?A arquitetura reflete momentos muito claros do ideário brasileiro?, explica Milton Cunha, que também mostrará os escombros do Palace II (no carro Castelo de Areia). Haverá também os dois tipos de favelas: a ?dos meus amores?, dos românticos barracões de zinco, e a ?dos meus horrores?, cheia de traficantes e balas perdidas. Neste carro, 80 personagens ? como a garota da laje, Michael Jackson e o Olodum ? serão dirigidas por Ulysses Cruz. No fim do desfile ? iniciado com uma grande oca, representando a arquitetura solidária que reunia várias famílias sob o mesmo domo de palha ?, um salto para o futuro mostra o Brasil se lançando na construção de uma estação espacial, com direito a um boneco de astronauta flutuando no ar. ### Passeio para encher a boca d'água AGÊNCIA O GLOBO Rio de Janeiro Tem tudo para ser uma delícia o desfile da Caprichosos de Pilares, sobre o Espírito Santo: primeiro, um carro que faz alusão à localidade de Goiabeira, com suas panelas de fabricação própria e seus mangues onde se catam caranguejos para a torta capixaba. Depois, um carro inspirado no filme A fantástica fábrica de chocolate, com direito a chafariz de chocolate Garoto (amargo, sem os ingredientes que endurecem a mistura, como açúcar, baunilha e parafina). Mais adiante, em outro carro, estão representadas as torrefações de café que deram impulso à economia do estado. O abre-alas prepara o público para o que está por vir: é uma grande boca que, segundo o carnavalesco Chico Spinosa, significa a leitura antropofágica do enredo, Na folia com o Espírito Santo, o Espírito Santo caprichou: ?Não conhecia o Espírito Santo e me surpreendi com a beleza, com a geografia e com a alma do Estado?. No fim do desfile, o deleite vem no carro que representa as montanhas e as praias locais, com direito a um mar de seis mil garrafas PET com líquidos coloridos de tons entre o azul e o verde. A escola vai distribuir 30 mil bombons ?Caprichosos de amor?, em embalagens azuis e brancas no dia do desfile. Este ano, a rainha de bateria é Mel Britto, mulher do presidente da Caprichosos, que foi escolhida pela comunidade de Pilares para substituir Luma de Oliveira à frente dos ritmistas comandados por Mestre Louro. Imperatriz Da homenagem inicialmente prevista a Santa Catarina, sobrou o verso ?a santa e bela catarina? do refrão do samba. O que a Imperatriz de Rosa Magalhães levará para a avenida é a história, como foi narrada pelo escritor Alexandre Dumas, da passagem pela América do Sul de Giuseppe Garibaldi, italiano que lutou pela liberdade no Brasil. ?Esta história de ?é sal, é céu, é mar? não dá! Começo com o encontro de Dumas e Garibaldi, na Itália. Garibaldi veio para o Brasil porque foi expulso de lá e condenado à morte. Aqui encontrou Anita, que era casada, mas foi viver com ele?, explica a carnavalesca, que se encantou com o Sul do País na época em que trabalhou na minissérie O tempo e o vento, da TV Globo. ?Nosso desfile acaba com Garibaldi voltando para casa como herói. Ele é o quinto mosqueteiro. Não por acaso, o nome do enredo é Um por todos e todos por um. O ator Murilo Rosa será o Garibaldi da escola, que também levará para a avenida personagens de livros de Dumas, como O Conde de Monte Cristo, O homem da máscara de ferro e o próprio Os três mosqueteiros. O quarto carro traz o barco que Garibaldi colocou sobre uma carroça para dar a volta numa lagoa e vencer uma batalha. ### Homenagem às mulheres que entraram para a História | AGÊNCIA O GLOBO Rio de Janeiro Na Porto de Pedra, o foco não serão as mulheres de corpo escultural que costumam se destacar na avenida. Em ?Bendita és tu entre as mulheres do Brasil?, a história será outra. ? O enredo fala de mulheres de verdade ? apressa-se em explicar o carnavalesco Cahe Rodrigues, que vai partir da criação do universo e da essência feminina para mostrar o melhor das mulheres brasileiras: guerreiras do Brasil, que lutaram pela pátria (como Maria Quitéria, Princesa Isabel, Anita Garibaldi e a imperatriz Leopoldina), que derrubaram preconceitos (como Leila Diniz e Zuzu Angel) e que se destacaram nas artes (como Chiquinha Gonzaga, Maria Clara Machado, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti). No fim, chegam as mulheres do carnaval. Uma homenagem a todas as agremiações, com participações como a da ex-porta-bandeira da Portela e da Tradição Wilma Nascimento, a caráter, e de Rosa Magalhães, que vem no último carro alegórico, Corte do Samba, na coroa da Imperatriz. Uma ala de transformistas virá com sósias de cantoras como Alcione, Gal e Elba. De volta Sem poupar esforços não apenas para ficar no Grupo Especial ? onde reestréia este ano, após uma breve estada em 1997 ? a Acadêmicos da Rocinha tenta roubar o título das grandes escolas. A arma do carnavalesco Alex de Souza é o enredo ?Felicidade não tem preço? ? sobre o que o dinheiro faz na vida das pessoas e o que as pessoas fazem por ele. A estratégia da escola será fazer um desfile leve e despretensioso, como Caprichosos de Pilares, São Clemente e União da Ilha no passado. Mas com um toque de requinte. O que vai para a avenida é a história do cidadão comum, o João Ninguém que desde a infância sonha encontrar ouro no fim do arco-íris. No caminho, esbarra em temas como sociedade de consumo, status e ascensão social. Até descobrir que da vida nada se leva. ?Depois dos últimos acontecimentos no cenário político do Brasil, não podia faltar a figura do ladrão. Ele dará um grande arremate ao desfile?, promete Alex, que também lembrará personagens que odeiam pobres, como Caco Antibes (de ?Sai de baixo?) e o político Justo Veríssimo, criado por Chico Anysio. ### Grande Rio conta lendas da Amazônia AGÊNCIA O GLOBO Rio de Janeiro Eldorado do passado e do presente, a Amazônia é fonte de riquezas para o desfile da Grande Rio. A fim de desenvolver o enredo Amazonas, o Eldorado é aqui, o carnavalesco Roberto Szaniecki foi quatro vezes até lá. Na bagagem, trouxe histórias e lendas da terra perseguida pelos irmãos Pizarro que, após comandarem a destruição de astecas e incas, associaram-se ao capitão Francisco de Orellana para chegar à cobiçada região. Já no primeiro setor ? que fala sobre o caminho da ambição e o sonho do ouro ? a escola de Caxias promete surpreender com um show de sincronia e de cores que envolve a comissão de frente, o casal de mestre-sala e porta-bandeira e o carro abre-alas (um híbrido de ocas indígenas com templos astecas): eles vão evoluir juntos, mudando fantasias e partes da alegoria. No fim do desfile, o Eldorado passa a ser não só o das indústrias da Zona Franca de Manaus (agora ameaçada pelos piratas modernos), mas o de fonte de riquezas como água, ar, gás natural, urânio, até ouro e diamantes. Vila Isabel O clima na Vila Isabel é de quizomba. Só que desta vez entre astecas, maias, povos andinos... latino-americanos em geral. A escola pretende levar ao Sambódromo um grande mosaico histórico-cultural dos países compreendidos entre a Península de Yucatán e a Terra do Fogo, desde a era pré-colombiana, passando pela chegada do europeu até os dias de hoje. Tudo para valorizar o mestiço em Soy loco por ti, América ? A Vila canta a latinidade. ?Como em 1988, com ?Kizomba?, falaremos do congraçamento das raças?, explica o carnavalesco Alexandre Louzada. ?Nossa grande surpresa este ano é a própria Vila?. Com patrocínio de R$ 900 mil da estatal petrolífera venezuelana PDVSA ? embora a presença do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, não tenha sido confirmada ? a azul-e-branco levará para a Sapucaí pirâmides astecas e lhamas, além de uma grande e articulada rumbeira do Caribe, no sexto carro, acompanhada de um mexicano. ### Venda de ingresso pela internet será maior em 2007 Globo Online São Paulo A venda de ingressos pela internet para os desfiles das escolas de samba de São Paulo vai aumentar no ano que vem. A procura foi tanta que a Dimep, responsável pela venda, resolveu ampliar a cota na festa do ano que vem. Em 2006, foram colocados à disposição apenas 20% da cota. No ano que vem, serão 40%. Foi a primeira vez que os ingressos foram vendidos pela internet. Representantes da Dimep se surpreenderam com a procura. Os bilhetes foram colocados à disposição no início de janeiro e se esgotaram em apenas 10 dias. Na sexta-feira, primeiro dia de apresentação em São Paulo, os preços dos ingressos ficaram bastante salgado. No camarote, o valor chegou a R$ 600 por pessoa.

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