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Nº 5730
Nacional

Relator pede cassa��o de Jo�o Paulo

| ROSE ANE SILVEIRA Folha Online Brasília - Em seu parecer, o relator Cezar Schirmer (PMDB-RS) recomendou ontem a perda de mandato de João Paulo pelo uso para proveito próprio do cargo que ocupava e de sua posição no PT. Na apresentação de seu voto,

Por | Edição do dia 08/03/2006 - Matéria atualizada em 08/03/2006 às 00h00

| ROSE ANE SILVEIRA Folha Online Brasília - Em seu parecer, o relator Cezar Schirmer (PMDB-RS) recomendou ontem a perda de mandato de João Paulo pelo uso para proveito próprio do cargo que ocupava e de sua posição no PT. Na apresentação de seu voto, Schirmer citou oito fatos que basearam seu pedido de cassação. Entre eles estava o recebimento de R$ 50 mil da conta da agência SMP&B, do empresário Marcos Valério, no Banco Rural de Brasília. Ele também citou o intenso relacionamento entre os dois e a participação do ex-presidente da Câmara em “várias subcontratações indevidas das empresas de Marcos Valério pela Casa”. O relator enfocou ainda o fato do saque ter ocorrido um dia depois de um café da manhã de João Paulo com Valério e próximo à data em que a SMP&B venceu uma licitação para executar serviços na Câmara por R$ 9 milhões. “Ao receber um dinheiro da empresa do senhor Marcos Valério, contratado pela Câmara, o deputado não objetivou em sua atuação nenhum interesse público. Percebeu sim, em proveito próprio, vantagem indevida no exercício da atividade parlamentar”, diz o relatório. Segundo o relator, não é crível que a contratação da SMPB para auxiliar na campanha para a presidência da Câmara e o café da manhã realizado na residência oficial de João Paulo na véspera do saque dos R$ 50 mil não tenham relação. Schirmer disse que de todos os processos analisados até agora pelo Conselho de Ética, o caso contra João Paulo Cunha é o que tem mais fatos materiais contra o acusado. Após a apresentação do relatório, a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) pediu vista ao processo e adiou por duas sessões a votação do parecer do relator do processo contra o ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), no Conselho de Ética da Casa. A votação deve ocorrer na quinta-feira. Defesa Em sua defesa, o ex-presidente da Câmara disse que não sabia a origem do dinheiro e responsabilizou Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, por não ter contabilizado o recurso. “Eu não sabia que a fonte dos recursos não era lícita. Fui buscar o dinheiro corretamente na tesouraria do meu partido. Eu não era candidato. Não tinha responsabilidade de escriturar a dívida. Quem tinha essa responsabilidade era o diretório nacional.” João Paulo alegou ainda ser vítima de uma campanha de perseguição que pede a cassação de seu mandato desde o início deste ano.

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