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Bairro japon�s de SP perde seus filhos
| Fabiana Parajara Globo Online São Paulo - A Liberdade, bairro da região central da cidade, não é mais aquela. A fachada de lojas e mercearias continua a mesma, com a sensacional mistura de ideogramas com palavras em português. Atrás do balcão, no entanto, é cada vez mais difícil achar um representante da colônia japonesa que fez a fama do bairro. As lojas são agora de chineses, coreanos e taiwaneses. Os japoneses e seus descendentes se misturam a turistas de todo o País e circulam ali como consumidores. Na Rua dos Estudantes, o quarteirão entre a Rua Galvão Bueno e a Rua da Glória, Issao Hoshino, que tem um laboratório fotográfico no local, diz que apenas quatro lojas ali têm donos japoneses. De acordo com o presidente da Associação Cultural e Assistencial da Liberdade (Acal), Hirofumi Ikesaki, os primeiros imigrantes japoneses chegaram ao bairro sem estudo, sem saber o português. ?Eles encontraram no comércio uma forma de sustentar suas famílias. Tinham muita garra e trabalhavam praticamente todos os dias da semana. Os filhos deles tiveram a oportunidade de estudar e preferiram virar funcionários e ter direitos garantidos a trabalhar tanto, e acabaram vendendo as lojas?, diz Ikesaki, que fundou sua empresa na década de 50 do século passado. De acordo com Ikesaki, os chineses e coreanos continuam com esse propósito de trabalhar bastante e, por isso, são bem-vindos ao bairro, que é um dos principais pontos turísticos da capital. ?Eles têm uma garra que os japoneses mais novos não apresentam?, diz.