Nacional
Ex�rcito nega acordo com criminosos
| Sérgio Torres Raphael Gomide Folhapress Rio de Janeiro - O Exército se contradisse, mudou sua versão para o encontro de armas roubadas e voltou a negar ontem acordo com a facção criminosa, Comando Vermelho, como revelado pela Folha de S.Paulo. Designado pelo Exército para falar sobre o caso, o general Hélio Chagas de Macedo Júnior desmentiu o que ele próprio divulgara na terça-feira após a suposta localização dos dez fuzis e de uma pistola roubados há duas semanas de um quartel no Rio. Em entrevista, o general, chefe do Estado-Maior do CML (Comando Militar do Leste), negou a frase que dissera na noite anterior: ?Houve uma denúncia no local de um elemento que passou, fez a denúncia e se evadiu?. Ontem, disse que o informante da favela da Rocinha (São Conrado, zona sul), que estava ocupada pelos militares, não existiu. ?Dei como exemplo. Isso, em determinadas ações, pode acontecer?, disse ele, que não explicou a razão de ter mudado a versão dada 12 horas antes. Ontem, ele apenas repetiu que ?dados de inteligência informaram o local.? As armas estavam em poder do CML desde domingo, segundo a reportagem apurou. Mesmo assim, uma megaoperação na Rocinha foi montada na segunda-feira. As armas foram entregues pelos ladrões após acordo entre integrantes do Exército e líderes do CV. Em troca, os militares concordaram em retirar as tropas das favelas; em apresentar as armas como se tivessem sido achadas em uma favela sob o domínio da facção inimiga, a ADA (Amigos dos Amigos), e em transferir um líder do CV de presídio. O chefe do Estado-Maior negou ter havido negociação com o CV para a devolução do armamento. ?Nós não negociamos com criminosos e com gente fora-da-lei. (...) De maneira nenhuma houve contato, acordo ou negociação.? Macedo Júnior foi reticente ao falar de como as armas foram achadas pelos militares. Não divulgou em que ponto da trilha os fuzis e a pistola estariam nem quantos homens do Exército participaram da ação. Recusou-se ainda a dizer em quais batalhões esses militares trabalham. O comandante militar do Leste, general Domingos Curado, não participou da entrevista. Estava em Brasília, informou o CML. Procurados pela reportagem, o ministro da Defesa, o vice-presidente José Alencar e o comandante do Exército, Francisco Albuquerque, não quiserem falar sobre o caso. Apesar de o general ter dito ontem que o ?elemento? não existia, o secretário estadual de Segurança Pública, Marcelo Itagiba, chegou a dizer, na entrevista, que o tal homem indicara uma casa onde um criminoso guardaria uma pistola e uma farda do Exército. A informação se confirmou, afirmou o secretário. ?Tenho a obrigação de preservar a nossa fonte.?