Nacional
Quebra de sigilo dever� ser investigada
| CLAUDIA ROLLI Folha Online O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirmou ontem que a quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo da Costa é grave e que precisa ser apurada. O sigilo bancário do caseiro vazou para a imprensa na sexta-feira passada, um dia depois de seu depoimento na CPI dos Bingos ser suspenso por uma liminar do STF (Supremo Tribunal Federal) e dele passar a ser protegido pela Polícia Federal. ?Acredito que seja uma violação grave. Essa quebra de sigilo é séria, precisa ser apurada e vai ser apurada.? A afirmação foi feita durante um evento da Polícia Federal em São Paulo. Dados sobre a movimentação bancária do caseiro Francenildo dos Santos Costa foram divulgados na última edição da revista Época. A reportagem sugere que pode ter sido comprado o depoimento no qual ele contou à CPI dos Bingos ter visto o ministro Antonio Palocci (Fazenda) em uma casa em Brasília utilizada para festas com garotas de programa e para reuniões de lobby. A movimentação bancária do caseiro mostra que sua conta na Caixa Econômica Federal recebeu R$ 25 mil em depósitos desde janeiro. O caseiro informou que acionará a Caixa Econômica Federal na Justiça para que o banco informe quem são os responsáveis por quebrar o sigilo de sua conta poupança na quinta-feira passada. ?A PF vai apurar [a quebra de sigilo] das maneiras que ela tem: abrindo inquérito policial, investigando e trabalhando?, disse o ministro. Oferta Enquanto os senadores discutiam a legalidade e a função de quebrar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) recebeu uma ligação a cobrar. Francenildo oferecia ao Senado todas as informações de suas contas. ?Ele me disse que, embora o sigilo já esteja quebrado, ele oferece toda a sua movimentação bancária?, afirmou. ?Mas ele fez uma cobrança. Ele me disse: espero que os ricos que estão sendo investigados façam os mesmo?, acrescentou Alvaro Dias em relato do telefonema. Rejeição O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Nelson Jobim, rejeitou o pedido do Senado para que suspendesse os efeitos da medida liminar, concedida em mandado de segurança, com a qual o ministro Cesar Peluzo proibiu o depoimento do caseiro Francenildo Santos Costa à CPI dos Bingos, no Senado. O recurso foi apresentado pelo advogado-geral do Senado, Alberto Cascais. Jobim alegou que não tinha motivos para cassar a decisão de Peluso, porque a suspensão do depoimento do caseiro não causou ?grave risco ao interesse público?. Para Jobim, o pedido do Senado foi incabível. A liminar foi concedida a semana passada por Peluso quando o caseiro já havia falado por 55 minutos à CPI.