Nacional
Presidente irrita oposi��o pelas cr�ticas
| Christiane Samarco Estadão Oline Brasília - Líderes de partidos de oposição na Câmara e no Senado devolveram as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a seus adversários no Congresso, feitas terça-feira passada em sua passagem por Salvador. O que mais irritou a oposição na fala presidencial foi a afirmação de que as críticas contra Palocci são de baixo nível. ?É baixo nível quebrar sigilo do caseiro para desqualificar a denúncia contra Palocci? É baixo nível desqualificar os irmãos de Celso Daniel que, por medo de morrer, deixam o País??, indagou o líder do PFL no Senado, José Agripino (RN). ?Para o PT, bom nível deve ser esconder as contas de Paulo Okamoto debaixo do tapete?, completou o pefelista, em uma referência ao presidente do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae), que admitiu ter pago uma dívida do presidente e contas pessoais de sua filha Lurian. ?De baixo nível mesmo são as atividades do ministro Palocci naquela casa do Lago Sul?, reagiu o vice-líder tucano, deputado Alberto Goldman (SP), referindo-se à mansão em que o caseiro Francenildo da Costa afirma ter testemunhado assessores e amigos do ministro dividindo dinheiro. ?Eu raramente concordo com o presidente, mas devo admitir que as críticas têm o mesmo nível baixíssimo do ministro e da República de Ribeirão Preto?, emendou o vice-presidente da Câmara, José Thomaz Nonô (PFL-AL). Orçamento O presidente Lula também fez reparos à oposição, por não ter votado até agora o Orçamento deste ano. ?Lamentavelmente, a maior desgraça do ser humano é a inveja. Não conseguiram fazer e não querem permitir que a gente faça?, disse Lula. Informados das críticas, até representantes dos partidos da base aliada na Comissão de Orçamento protestaram contra às críticas do presidente no plenário. O deputado Ricardo Barros (PP-PR) salientou que, na terça-feira, foram os governistas quem deixaram a comissão, abandonando os trabalhos. ?A oposição fez a proposta de votar o relatório (elaborado pelo relator petista Carlito Merrs) tal como estava e nem assim o governo aceitou?, indignou-se Barros. ?Passamos o dia todo querendo votar, e a base do governo obstruindo a votação e descumprindo todos os acordos?, reclamou do microfone de apartes o deputado Pauderney Avelino (PFL-AM). ?O presidente não está mais agindo com qualquer grau de equilíbrio?, atacou Goldman, para quem as coisas não andam no Brasil e no Congresso, apesar de o Planalto ter maioria congressual, por incompetência do governo. ?As bancadas governistas só trabalham mediante retribuição. Junta a mediocridade do governo com a falta de retribuição, dá nisso?, disse o tucano. O líder Agripino foi ainda mais explícito. ?Orçamento sem mensalão é isso. Se não foi aprovado até agora, é porque este governo é movido a mensalão. Faltou mensalão, não consegue aprovar mais nada?.