Nacional
Nildo � suspeito de lavagem de dinheiro
| Andréa Michael Folhapress Brasília - Vítima de violação de sigilo bancário, o caseiro Francenildo dos Santos Costa prestou depoimento ontem na Polícia Federal, em Brasília, na condição de pessoa investigada sob suspeita de prática de lavagem de dinheiro. Essa linha de investigação foi aberta a pedido do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão subordinado ao Ministério da Fazenda, que na segunda-feira encaminhou à PF relatório no qual aponta movimentações atípicas na conta do caseiro na Caixa Econômica Federal. O caseiro recebe R$ 700 mensais de salário. Entre janeiro e março deste ano, recebeu depósitos que somam cerca de R$ 25 mil. O caseiro sustenta que o dinheiro foi repassado por seu suposto pai biológico, um empresário do Piauí, Eurípedes Soares da Silva. ?Talvez possa ter procedência [o pedido do Coaf], porque a mãe dele [caseiro] é lavadeira. Pode ser que sobrou um dinheiro na calça e ela tenha lavado esse dinheiro?, protestou Wlício Chaveiro, advogado de Nildo, logo após seu cliente concluir o depoimento de cerca de três horas à PF. A investigação sobre a origem do dinheiro interessa ao governo, que tenta desqualificá-lo levantando suspeitas de que ele recebido auxílio financeiro da oposição para atingir Antonio Palocci. Além de investigar o caseiro, a PF apura no inquérito a violação do sigilo bancário, ocorrida dentro da Caixa. O caseiro falou à PF sobre o momento em que, ao negociar seu ingresso no programa de proteção mantido pelo órgão, na noite de quinta-feira da semana passada, ele apresentou o cartão de sua conta bancária. NOmes A Polícia Federal sabe os nomes dos dois funcionários da CEF suspeitos de quebrar o sigilo bancário do caseiro. Os nomes foram entregues pelos advogados da Caixa, Zanon e Elton Nobre, que se reuniram ontem com o delegado Rodrigo Carneiro Gomes. A quebra ilegal dos dados bancários configura violação da lei de sigilo bancário (nº 105/2001) e a pena é de um a quatro anos de reclusão para o autor da quebra. Embora a violação da conta tenha ocorrido na sede da Caixa - onde Francenildo tem uma conta poupança - o presidente da instituição, Jorge Mattoso, faltou ao depoimento que estava marcado para hoje na PF. A expectativa é que os dois funcionários venham a depor ainda hoje na PF. ### Quebra de sigilo é ato isolado para CEF | Lu Aiko Otta Estadão Online Brasília - A Caixa Econômica Federal informou na tarde ontem, por meio de nota, que a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa foi um ato isolado e cita dois funcionários como prováveis responsáveis pelo crime. A nota diz que foi identificada a máquina da qual foi retirado o extrato da movimentação da conta do caseiro e que os dois empregados usuários do equipamento ?foram convocados a prestar depoimentos, visando a identificação do responsável pela divulgação indevida das informações?. O documento diz ainda que a apuração seguirá com toda a rapidez, ?observados os princípios constitucionais de ampla defesa e do contraditório?. A Caixa diz que encaminhará uma posição atualizada das investigações à Polícia Federal, conforme solicitado, mas não informa a data. A nota, assinada pela assessoria de imprensa, afirma que a instituição condena a ação e que não ocorreu em suas agências, que continuam prestando todos os serviços com segurança e qualidade?. Rumores A Caixa Econômica Federal negou ontem os rumores sobre o desligamento de Jorge Mattoso da presidência da instituição. Os rumores sobre a queda de Mattoso ficaram mais fortes na noite de quarta-feira, depois de a Caixa adiar a divulgação do primeiro relatório da comissão encarregada de apurar a responsabilidade pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Na mesma noite, também circularam nomes de dois possíveis envolvidos na quebra - informação que foi desmentida em seguida pela Caixa. Contra Palocci O deputado Alberto Goldman (PSDB-SP) ingressou ontem com uma denúncia por crime de responsabilidade na Mesa Diretora da Câmara contra o ministro Antonio Palocci (Fazenda) por crime de responsabilidade e pelo possível envolvimento na quebra do sigilo bancário do caseiro na CEF. Para que a denúncia tenha seqüência, é preciso ser acatada pelo presidente da Casa, Aldo Rebelo (PC do B-SP). Se ele aprovar, será criada uma comissão especial da Câmara para analisar as denúncias contra Palocci.