Nacional
Mantega garante que ser� respons�vel
| PATRÍCIA ZIMMERMANN Folha Online Brasília - O novo ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem defender um desenvolvimento ?responsável? e ?avesso a aventuras e ao entusiasmo infantil?. Conhecido por defender uma linha mais desenvolvimentista que seu antecessor, Antonio Palocci, o novo ministro disse que continua fiel a si mesmo e a suas idéias. Ele sinalizou, entretanto, que não haverá mudanças na política econômica, cujo ?fiador? é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e não Palocci. O novo ministro também foi bastante enfático ao elogiar Palocci e sua atuação no ministério. ?Em 2004 o Brasil deu início a um ciclo de desenvolvimento continuado com as características de desenvolvimento econômico, distribuição de renda, geração de empregos e redução da pobreza. Em grande parte, tudo isso se deveu à tenacidade e à competência do ministro Antonio Palocci, a quem rendo minhas homenagens e respeito de companheiro de longa data.? Discurso O ministro da Fazenda, Guido Mantega, iniciou seu discurso de posse destacando o seu orgulho pelas realizações do governo Lula. Ele disse que a primeira constatação que faz ao assumir o novo cargo é que receberá de Palocci um Ministério, uma economia e um País muito melhores do que Palocci recebeu em 2003. Mantega disse que o governo cumprirá até o final do governo praticamente todas as metas do Plano Plurianual (PPA). Ainda, fez referência ao alcance das metas relativas às contas externas, à política fiscal e à inflação baixa e estável, além da geração de ?milhões de empregos?. Mais elogios O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, elogiou ontem a escolha de Guido Mantega para o Ministério da Fazenda e frisou que a condução da política econômica é do presidente da República. ?O presidente é o responsável e, tem sido, pela política econômica, pelas orientações do governo e creio que o novo ministro deverá ordinariamente seguir a orientação do presidente da República?, afirmou. Aldo Rebelo disse que quem tem responsabilidade pública não pode esperar, tem de trabalhar para superar a crise política porque isso é uma expectativa do povo brasileiro. Segundo ele, o povo deseja que o País funcione normalmente, que o governo e a oposição cumpram o seu papel e que os interesses de ambos não podem se sobrepor aos interesses do País. ### Lula orienta novo ministro da Fazenda Gustavo Freire Fabio Graner Estadão Online Lula da Silva disse ao novo ministro da Fazenda, Guido Mantega, no discurso de posse, que não existe mágica em economia. Ele alertou que a economia não depende da vontade de uma pessoa, mas do conjunto de fatores e de pessoas que querem que dê certo. ?Se você (Guido Mantega) continuar o que precisa ser feito, mostrar seriedade e fazer uma política de desenvolvimento sem nenhum milagre, eu não tenho dúvidas de que você está qualificado, não só para fazer o que o Palocci fez, mas para fazer mais e melhor?, disse Lula. O presidente disse a Mantega que ele (Lula) será sempre um companheiro de todas as horas. ?Quando as coisas estiverem boas, não precisa pedir uma audiência comigo. Mas na hora que precisar tomar qualquer atitude, com enfrentamento político, ou que seja dura para alguns, nós vamos somar. Porque o único legado que podemos deixar às gerações futuras é a seriedade com que lidamos com a coisa pública.? O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou o ministro demissionário Antonio Palocci, na solenidade de posse do economista Guido Mantega como seu sucessor no Ministério da Fazenda. O presidente afirmou que não confunde sua relação política com relação de amizade. ?Palocci, nossa relação é de companheiro, mais do que irmão?, afirmou o presidente dirigindo-se ao seu ex-homem forte da economia. Estranhamento Lula lembrou que muitos estranharam quando ele resolveu indicar Palocci para o Ministério da Fazenda, perguntando como um médico sanitarista e prefeito poderia gerir a Fazenda sem entender de economia. Segundo Lula, na época, todos achavam que Palocci estava fadado ao fracasso. O presidente destacou a importância de Palocci na construção da ?Carta ao Povo Brasileiro?, ainda na campanha presidencial de 2002. Segundo ele, foi esSe documento que permitiu que ele passasse da barreira dos 30% do eleitorado no primeiro turno das eleições. ?Para ter 30% dos votos, eu não precisava disputar as eleições de novo; 30% eu já tinha?, lembrou. ?Eu precisava chegar aos 50%?. Ele lembrou o passado trotskista de Palocci e a trajetória política dele. O presidente afirmou que a vida não é feita só de momentos extraordinários, mas também por momentos difíceis, de dissabores, acusações e leviandades. ?Essas adversidades devem ser vistas como um aprendizado?, disse. ?Com seu jeito de ser, com seu jeito de agir e falar, você conseguiu fazer também alguns inimigos, mas, andando pelo mundo, a gente via que não estávamos diante apenas de um ministro da Fazenda, e, sim, de alguém cujo grande conhecimento de economia era a firmeza política?, afirmou Lula, dirigindo-se ao ex-ministro. O presidente disse ainda que não sabe se pode ou não afirmar se Palocci foi ou não o melhor ministro da Fazenda da história, mas afirmou que o ex-ministro tem motivos para se orgulhar das conquistas obtidas no País. ?Se hoje vivemos uma situação, na área econômica, temos um reconhecimento no mundo e podemos mostrar dados sólidos como a recuperação do emprego, do salário mínimo, da saúde e da educação, certamente todos sabem que um pouco disso nós devemos a você?, afirmou.