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Nº 5732
Nacional

Wagner quer levar Serraglio para Justi�a

| FELIPE RECONDO Folha Online Brasília - O ministro Jaques Wagner (Relações Institucionais), que deixou o cargo ontem, afirmou que deve processar o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), por calúnia por conta do documento final

Por | Edição do dia 01/04/2006 - Matéria atualizada em 01/04/2006 às 00h00

| FELIPE RECONDO Folha Online Brasília - O ministro Jaques Wagner (Relações Institucionais), que deixou o cargo ontem, afirmou que deve processar o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), por calúnia por conta do documento final da comissão. No relatório, Serraglio diz que a GDK, empresa que tem contrato com a Petrobras, “teria contado com a ajuda de Wagner, cuja campanha para o governo do Estado da Bahia foi, em boa parte, financiada pelo dono da GDK, César Oliveira, que por sua vez empregou uma filha do ministro” na empresa. A suposta ajuda de Jaques Wagner à empresa, somada à possível mediação de negócios pelo ex-secretário do PT Silvio Pereira, teriam alavancado o valor dos contratos da GDK com a Petrobras para R$ 512 milhões, acima dos R$ 430 milhões do último ano do governo Fernando Henrique Cardoso. Wagner admitiu que sua filha trabalhou na GDK e que recebeu ajuda financeira da empresa, mas negou ter intermediado negócios entre ela e a Petrobras. “Se for feita essa ilação, é caluniosa. Eu nunca fui à Petrobras.” O ministro e seu substituto no Ministério de Relações Institucionais, Tarso Genro, disseram que concordam com a proposta do PT de apresentar um relatório paralelo ao texto original de Serraglio. “Não acho que seja uma radicalização da bancada do PT apresentar relatório paralelo”, afirmou Genro. As principais críticas ao relatório foram feitas por Wagner. “É importante que ele relate o que as investigações mostraram. Ilações e pré-julgamentos não são próprios de relatórios da CPI. Ao governo não interessa juízo de valor”, acrescentou. Na opinião de Wagner, Serraglio faz pré-julgamentos quando indicaria a prática de crime de corrupção ativa por José Dirceu e pelo secretário de Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência, Luiz Gushiken. Relatório paralelo O governo está dividido quanto aos procedimentos a serem adotados na votação do relatório final da CPI dos Correios. Jaques Wagner e Tarso Genro apóiam a apresentação do documento alternativo, enquanto o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) defende mudanças no texto. O PT já anunciou que apresentará um relatório paralelo. Para isso, o partido precisa primeiro derrubar o documento de Serraglio. A pedido de parlamentares moderados do governo e da oposição, o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), recorreu ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas foi recebido por Thomaz Bastos. A intenção é controlar os petistas e convencê-los a negociar pontualmente mudanças no texto. Thomaz Bastos teria concordado que a repercussão da derrubada do relatório da CPI seria pior do que a manutenção do texto com pequenas alterações. Principalmente porque o documento poupou Lula. A votação do relatório está prevista para terça e até lá os partidos negociarão mudanças no documento. Tucanos e pefelistas aceitam alterar alguns pedidos de indiciamento, como os dos ex-ministros Luiz Gushiken e José Dirceu, transformando-os em pedidos de investigação ao Ministério Público. A dificuldade está no PT, que não aceita deixar no relatório as afirmações de que o mensalão é uma realidade e de que o esquema foi alimentado por dinheiro do Banco do Brasil.

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