Nacional
Serraglio d� sinal vermelho � mudan�a
| Felipe Recondo Folhapress Brasília - O relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), deu um recado ontem para os petistas que pretendem retirar do relatório final a tese do mensalão: se houver mudança, o documento indicará que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cometeu crime de responsabilidade. No relatório apresentado na semana passada, Osmar Serraglio diz que Lula sabia da existência do suposto mensalão, mas não seria responsável pela prática ilegal, pois deu ordens para apurar o esquema logo que foi informado. No relatório a ser votado hoje, Serraglio diz que o mensalão existiu e descartou a tese de que o dinheiro repassado por meio das empresas de Marcos Valério Fernandes de Souza tinha como destino o pagamento de dívidas de campanha não contabilizadas. Os petistas que integram a CPI dos Correios passaram o fim de semana reunidos e continuavam ontem a análise do relatório final da comissão em busca de falhas e pontos frágeis que possibilitem a apresentação de alterações. Os petistas querem manter viva a dúvida sobre a veracidade da lista de Furnas, que aponta integrantes do PSDB e de outras legendas como outros beneficiários de recursos desviados da estatal. ?Houve pagamentos ilegais, indevidos e ilícitos, mas não há prova de que foram utilizados para financiar a troca de parlamentares de partidos ou a compra de votos?, afirmou a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC). Salvatti afirmou que o relatório final está errado ao pedir o indiciamento do lobista Nilton Monteiro baseado em relatório que apontaria ?categoricamente? ser falsa a lista de Furnas. Monteiro é responsável pela denúncia de um suposto caixa dois em Furnas organizado pelo ex-diretor de Engenharia Dimas Toledo. Votos governistas Serraglio afirmou que, caso os governistas tenham voto para alterar o texto, prevalecerá a tese de que parte do dinheiro que passou pelas contas de Valério tinha como destino a campanha de 2002 do presidente Lula. Na opinião de Serraglio, isso pode configurar crime de responsabilidade. ?Ou nós temos gente recebendo dinheiro do mensalão ou o dinheiro ia para o Lula e para a campanha do presidente. Para mim, o dinheiro ia para os mensaleiros. Agora, se eles [petistas] apontam que não tem mensaleiro, querem que eu indique que houve crime de responsabilidade [por parte do presidente]?, disse Serraglio. O caixa dois, inclusive, é o argumento usado pelo relator para pedir o indiciamento por crime eleitoral do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). O relator Serraglio afirmou que Eduardo Azeredo não é indiciado por crime de responsabilidade porque o senador perdeu a eleição de 1998 ao governo Minas Gerais, financiada ilegalmente. Alterações Outras duas sugestões de indiciamento serão alvo dos governistas. Os petistas querem tirar do documento final as indicações de que o ex-deputado José Dirceu e o ex-ministro Luiz Gushiken seriam responsabilizados por corrupção ativa. Serraglio afirmou que mantém seu relatório intacto, mesmo diante das críticas feitas por governistas e oposicionistas. Serraglio disse que não atenderá ao pedido para que indícios de corrupção ativa que pesam sobre Dirceu e Gushiken sejam retirados do texto. O deputado Maurício Rands (PT-PE) negocia todas as alterações com o relator. Para garantir maioria dos votos na CPI, os governistas precisam do apoio do PMDB. Por isso, ter a simpatia de Serraglio para determinadas propostas é importante. Os petistas dizem que não há indiciados por corrupção passiva, o que mostraria ?a fragilidade? do pedido de indiciamento, especialmente, contra Dirceu. No relatório, Serraglio aponta que os deputados ?mensaleiros? poderiam ter incorrido em corrupção passiva, o que justificaria o indiciamento de Dirceu. O PT cobra o mesmo tratamento ao ex-deputado e querem que o caso continue a ser investigado pelo MP sem sugestão de indiciamento. O ex-ministro Jaques Wagner, apontado no relatório como facilitador de negócios entre a empresa GDK e a Petrobras, deve ser mantido no texto mesmo com a proposta de retirada a ser apresentada pelo PT.