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Nº 5731
Nacional

Palocci dep�e em sigilo e � indiciado

| FELIPE RECONDO Folha Online Brasília - A Polícia Federal tomou, secretamente, ontem à tarde, o depoimento de Antônio Palocci, ex-ministro da Fazenda, no inquérito que apura a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Após o depoimento,

Por | Edição do dia 05/04/2006 - Matéria atualizada em 05/04/2006 às 00h00

| FELIPE RECONDO Folha Online Brasília - A Polícia Federal tomou, secretamente, ontem à tarde, o depoimento de Antônio Palocci, ex-ministro da Fazenda, no inquérito que apura a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Após o depoimento, Palocci foi indiciado pela Polícia Federal por quebra de sigilo. Segundo José Roberto Batocchio, um dos advogados do ex-ministro, o depoimento durou três horas e foi tomado na casa de Palocci, no Lago Sul, em Brasília, porque o ministro está doente. No depoimento, Palocci voltou a negar que tenha pedido a quebra de sigilo do caseiro. Disse ainda que não divulgou e nem pediu para que as informações fossem repassadas à imprensa. Afirmou ainda que nenhum de seus assessores teve acesso aos dados bancários do caseiro. “O ministro nega veementemente a quebra de sigilo e nega que em algum momento passou qualquer informação sobre o extrato do caseiro Francenildo Costa”, disse Batochio. No depoimento, Palocci detalhou o encontro com o então presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso em que teria recebido o extrato bancário do caseiro. Palocci disse à PF que Mattoso fora a sua casa para concluir uma reunião que tinha sido interrompida anteriormente por conta de sua agenda. O assunto seria a expansão da Caixa para os Estados Unidos e Japão - no depoimento de Mattoso à PF o assunto nunca chegou a ser mencionado. Esse encontro durou cinco minutos, tempo em que Mattoso tratou da expansão da Caixa e entregou o envelope com o extrato do caseiro. Na rápida conversa, Mattoso disse a Palocci ter recebido informações de que havia movimentações incompatíveis na conta de Francenildo. O então presidente da Caixa teria perguntado a Palocci o que fazer com os dados. Batocchio disse que Palocci ordenou a Mattoso que “procedesse de acordo com as normas legais”. Palocci, então, teria deixado o envelope em seu escritório e retornado a outra reunião com o secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Daniel Goldberg, e com seu então assessor de imprensa, Marcelo Netto. Nessa segunda reunião, o assunto seria a possível transferência do inquérito que investiga a gestão de Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto da Polícia Civil local para a Polícia Federal. Ainda nessa segunda reunião, os presentes não teriam tratado especificamente do caso Francenildo. Somente depois dessa segunda reunião, Palocci teria então analisado os dados do extrato bancário do caseiro. ### Senador quer explicação de general | Folhapress São Paulo O senador José Jorge (PFL-PE) protocolou ontem um pedido de convocação do ministro-chefe-do-Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Amando Félix, para explicar o possível pedido feito pelo ex-ministro Antonio Palocci para espionar o caseiro Francenildo Costa. O requerimento de Jorge chegou ontem à Mesa Diretora do Senado e precisa ser aprovado pela maioria dos membros da Casa. Informações dizem que Palocci teria tentado mobilizar a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na tentativa de desmoralizar Francenildo. O ex-ministro teria pedido para a Abin espionar o caseiro. O ex-ministro deve ser indiciado amanhã pela Polícia Federal pelos crimes de quebra de sigilo funcional e abuso de poder. Ele pediu afastamento da Fazenda na segunda-feira passada depois do ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso depor à PF. Mattoso disse que entregou o extrato bancário de Francenildo “nas mãos de Palocci”. Esse extrato foi repassado para a revista Época. Palocci é suspeito de ter ordenado a quebra do sigilo bancário do caseiro. A violação ocorreu logo depois do caseiro desmentir Palocci na CPI dos Bingos. Ele disse ter visto Palocci na casa alugada em Brasília pelos ex-assessores de Ribeirão Preto para negociatas com lobistas e festas com prostitutas. A violação mostrou o recebimento de depósitos no valor de R$ 35 mil na conta poupança de Francenildo na Caixa. Os dados da movimentação financeira foram usados pelos governistas para sugerir que o depoimento de Francenildo teria sido comprado pela oposição. Abin responde A Abin, por meio do GSI, informou que a agência “tem suas atividades voltadas exclusivamente para produção de conhecimentos relativos à segurança da sociedade e do Estado brasileiro”. “Não realizando [a Abin] trabalhos de Inteligência sobre outros temas, principalmente aqueles envolvendo investigações de cunho pessoal.” O diretor-geral da Abin, Márcio Paulo Buzanelli, e o ministro-chefe do GSI, general Jorge Amando Félix, vão comparecer amanhã na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI ), do Congresso. Em nota, o GSI informa que o “ministro Félix se pronunciará apenas no âmbito daquela comissão, foro legal para discussão de assuntos ligados à atividade de Inteligência”. Identificação O Ministério Público Federal solicitou informações a vários órgãos do governo em um esforço para identificar todos os envolvidos no episódio da quebra de sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Segundo a assessoria do MP, os procuradores-gerais da República no Distrito Federal Gustavo Pessanha Velloso e Lívia Nascimento pediram informações à Caixa Econômica Federal, ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), à Receita Federal e a entidades como Serasa e SPC.

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