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CPI corre risco de terminar sem relat�rio
| FELIPE RECONDO Folha Online Brasília - Parlamentares de oposição e governistas não chegaram a um consenso sobre a votação do relatório da CPI dos Correios. O PT quer aprovar o chamado relatório paralelo - voto em separado. Mas a oposição insiste em votar o texto elaborado pelo relator Osmar Serraglio (PMDB-PR). A persistência desse impasse pode fazer com que a CPI termine sem votar nenhum relatório. A primeira tentativa de votação deveria ter ocorrido ontem. Mas tanto a oposição como os governistas descartaram a possibilidade de votar qualquer relatório. Em tese, a CPI tem até segunda-feira - data de seu término - para votar o seu relatório. O deputado ACM Neto (PFL-BA), entretanto, já cogita a possibilidade da CPI terminar sem aprovar nenhum relatório, já que o PT tem votos necessários para derrubar o texto de Serraglio. O deputado petista Maurício Rands (PE) admitiu que o PT ainda tenta negociar com outros partidos a aprovação do relatório paralelo. ?Temos questões pendentes no PMDB, o que traz alguma incerteza [sobre a votação]. É provável que o governo tenha maioria.? O sub-relator de contratos, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), já havia manifestado o temor sobre a não votação de nenhum relatório. ?Não ter relatório é a verdadeira pizza.? Enquanto o PT tenta votar seu relatório paralelo, PFL e PSDB informaram que vão votar o texto de Serraglio. Pelo acordo fechado, o texto de Serraglio seria aprovado com o voto em separado apresentado pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que pede a responsabilização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no esquema do mensalão. Serraglio afirmou não aceitar a retirada da palavra mensalão do documento, como sugerido pelo PT. Também não consente mudanças na parte da responsabilização da Visanet como uma das fontes de abastecimento do esquema do chamado valerioduto. Ressaltou, porém, que tem disposição de negociar os indiciamentos, mas adiantou que, nesse grupo, não está de acordo com retirar o nome do ex-deputado José Dirceu (PT-SP). ?Isso seria negar o mensalão?, afirmou. Paralelo Para contestar o relatório final de Osmar Serraglio, o PT afirma - num voto que apresentará em separado ao texto oficial - que a origem do esquema montado pelo empresário Marcos Valério está no PSDB e remonta à campanha ao período de 1997 a 1998, quando o então governador de Minas Gerais e atual senador Eduardo Azeredo (PSDB) lutou pela reeleição. ?Descobriu-se ali o DNA do esquema Marcos Valério?, afirma o voto em separado, que é conhecido como ?relatório paralelo?. O parecer diz também: ?Há evidências de que Marcos Valério manteve relacionamento constante e intenso com o senador (então governador) Eduardo Azeredo, desde a campanha.?