Nacional
PMDB governista tenta acordo com ala rebelde
Brasília ? Toda a estratégia do PMDB para neutralizar a iniciativa da ala rebelde do partido, que requereu à convenção de amanhã o registro da candidatura à Presidência da República do senador Roberto Requião (PR), foi combinada com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Por volta das 23h de quarta-feira, a cúpula peemedebista participou de uma reunião com o presidente, no Palácio da Alvorada. Uma das idéias é exigir do grupo rebelde o respeito ao resultado da convenção. A preocupação é com ?baixarias? na convenção peemedebista que receberá, ao final, a visita do candidato tucano José Serra. No encontro do Alvorada, foram planejados os passos para que seja garantida a vitória da proposta de coligação com o PSDB e de lançamento da deputada Rita Camata (ES) como vice de Serra. Para tanto, a alternativa considerada mais viável é a de oferecer a Requião e aos rebeldes do PMDB o direito de apresentar a candidatura. Mas, antes, a convenção decidirá se o PMDB deve fazer aliança com o PSDB e, em caso afirmativo, se deve lançar a deputada Rita Camata (ES) para vice. Nesse caso, o requerimento de Requião ficaria prejudicado. Havia uma outra proposta, defendida pelo ex-deputado Eliseu Padilha. A direção do PMDB deveria simplesmente rejeitar o pedido de inscrição do senador Roberto Requião. Com isso, alegava Padilha, a convenção negaria um palanque para que Requião, a pretexto de pedir votos, ataque o candidato do PSDB à Presidência, além do próprio governo. Por causa de dúvidas jurídicas, a cúpula do PMDB decidiu adiar a decisão para hoje. Antes, segundo o presidente do partido, Michel Temer (SP), deverão ser consultados advogados, para que algumas pendências jurídicas sejam esclarecidas. Trata-se de um adiamento proposital para que se obtenha um acordo com a ala rebelde do partido, comandada pelo ex-governador Orestes Quércia e pelo ex-deputado Paes de Andrade, além dos senadores José Sarney (AP), Maguito Vilela (GO) e Pedro Simon (RS).