Nacional
FHC pode decretar estado de defesa no Rio de Janeiro
Rio ? Dentro da nova política de ?tolerância zero? na segurança pública, o presidente Fernando Henrique Cardoso interrompeu sua agenda oficial, ontem, para avaliar pessoalmente os estragos causados pelo ataque à sede administrativa da Prefeitura do Rio e declarou ? com um punhado de cartuchos de fuzil nas mãos ? que o governo federal tomará uma medida ?forte?. Ele não descartou atender o pedido do prefeito César Maia, feito por telefone na manhã de ontem, de que fosse decretado estado de defesa no Rio. ?Eu não vou fugir da minha (responsabilidade). Eu acho que o que está aconteceu aqui, ontem, estas balas, que são de uso militar, são testemunho que se passou de tudo que é limite. Isso não é aceitável. Isso é uma provocação ao povo?, disse o presidente. Para FHC, o ataque à prefeitura foi uma demonstração de poder paralelo do crime organizado e será combatido pelo poder eleito e legítimo. ?Isso é um desafio que a sociedade vai repudiar, essa questão de atacar à toa. Mas não é à toa: é para mostrar que há outro poder no Brasil. Não há. O poder do Brasil é o poder que o povo elegeu?, afirmou. Hoje, em Brasília, o presidente irá se encontrar, emergencialmente, com o ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior, e com o ministro-chefe do gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, para discutir a criminalidade do Rio. Empura-empurra Depois de insistir que deve acabar o ?empurra-empurra? entre os governos municipal, estadual e federal em matéria de segurança, o presidente assegurou que a governadora Benedita da Silva (PT) participará das decisões sobre o Rio. ?Vou chamar a governadora e o prefeito. Nós, em conjunto, vamos decidir o que é efetivo, que não seja demagógico, mas seja para valer. Não dá mais. Isso aqui é o símbolo do inacreditável?, ressaltou o presidente, frisando que não fugiria de sua parcela de responsabilidade. Pela manhã, após audiências com autoridades estrangeiras presentes ao seminário Rio+10 Brasil (sobre ambiente e desenvolvimento sustentável), FHC disse que a situação do Rio é ?extremamente grave e delicada? e que estava analisando, juntamente com o ministro da Justiça, os mecanismos e condições necessários para decretar o estado de defesa.