Nacional
Pedido de estado de defesa gera briga entre autoridades
Rio ? O pedido de decreto de estado de defesa feito pelo prefeito do Rio, César Maia (PFL), gerou um bate-boca entre ele e o secretário da Segurança Pública do Estado, o petista Roberto Aguiar. O pedido foi feito após a prefeitura ser atingida por cerca de 150 tiros de fuzil, na madrugada do último domingo. Duas granadas foram encontradas no local, sem que fossem detonadas. Pela manhã, César Maia disse que Aguiar é um ?desequilibrado? e que ele deveria sair do governo. Após reunião com a governadora Benedita da Silva (PT) e representantes da força-tarefa das polícias, o secretário respondeu dizendo que o prefeito está fazendo uma projeção de si mesmo. ?É uma projeção dele. Ele é uma pessoa muito instável, tenho pena das pessoas meio doentes?. Para Aguiar, César Maia fez jogo político sobre a questão do estado de defesa. ?Todos os que fazem uso político de um caso como esse aumentam a sensação de insegurança, deslegitimando os poderes estatais dos eleitos?, afirmou. Aguiar afirmou que já ocorreram casos piores no Rio, nos quais pessoas se feriram, ?e ninguém pediu estado de defesa?. Ele não citou os casos. César Maia insiste em atribuir o ataque contra o prédio da prefeitura à sensação de impunidade dos criminosos e à falta de policiamento na cidade. ?O senhor Aguiar foi uma péssima escolha. Ele levará o Rio de Janeiro a uma situação dramática?, completou. Segundo César Maia, o secretário de Segurança também fracassou quando exercia função semelhante em Brasília. ?Essa é uma projeção pessoal dele em cima de mim?, reagiu Roberto Aguiar. O secretário criticou o que chamou de politização da segurança pública. ?Toda vez que alguém faz uso político da violência, provoca o aumento da sensação de insegurança e deslegitima poderes eleitos?, afirmou. Aguiar lembrou que foi o primeiro a estar ao lado de Maia depois do ataque à prefeitura. ?Cuidei das questões relativas à investigação e expressei minha solidariedade pessoal ao prefeito. Prefiro ignorar a mesquinhez?, afirmou. Na avaliação do prefeito, a questão da violência só será resolvida com um policiamento ostensivo. De acordo com ele, enquanto o tráfico tem 10 mil homens armados nas ruas da cidade, a polícia disponibiliza apenas 6,5 mil policiais. Maia afirmou que, se lhe for permitido, a prefeitura se encarrega de contratar mais policiais para que seja implantada a segunda jornada na Polícia Militar. ?Falta policiamento?, insistiu. No dia seguinte ao atentado, a sede da prefeitura estava com policiamento reforçado.