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Ministro da Justi�a pede demiss�o por diverg�ncias com procurador
Brasília ? O ministro da Justiça, Miguel Reale Jr., pediu demissão ontem ao presidente Fernando Henrique Cardoso. A informação foi confirmada no início da noite pela assessoria de imprensa do ministério. O motivo que teria levado Reale a entregar o cargo foi a decisão do procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, de não encaminhar ao Supremo Tribunal Federal o pedido de intervenção no Espírito Santo. O pedido já havia sido aprovado na semana passada por unanimidade pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, órgão vinculado ao Ministério da Justiça.O procurador-geral Geraldo Brindeiro se reuniu ontem com FHC e, segundo ele, o presidente teria concordado com a proposta de criação de uma força-tarefa para combater a violência no Espírito Santo como alternativa a uma intervenção federal. ?Do ponto de vista prático, a solução é um entendimento entre o ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior, a Polícia Federal e o governo do Estado para garantir a segurança no Espírito Santo?, afirmou Brindeiro. Para o procurador-geral, não há viabilidade política e jurídica para a intervenção. ?Como alternativa, isso (a intervenção) poderia ocorrer caso houvesse viabilidade política. Como eu suspeitava, não há?. No encontro com o presidente, Brindeiro disse também que não teria como ser aprovada a medida já que não haveria tempo suficiente para ser colocada em prática, tendo em vista que as eleições para a renovação do quadro político no Estado acontecem em apenas seis meses. Meteoro Miguel Reale Júnior, 58, assumiu o Ministério da Justiça no dia 3 de abril, no lugar de Aloysio Nunes Ferreira, que deixou o cargo para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Reale é segundo suplente do senador José Serra (PSDB), candidato do governo à Presidência. Advogado, ele é professor titular de direito penal da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo). Desde que tomou posse, Reale Júnior demitiu três secretários por divergências: Elizabeth Sussekind, que estava na Secretaria Nacional de Justiça, Pedro Alvarenga (Secretaria Nacional de Segurança Pública) e Jorge Francisconi (Denatran), além do então presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Glênio da Costa Alvarez, e sua chefe de gabinete, Sheila Fernandes.