Nacional
OAB recusa-se a participar de conselho no governo de FHC
Brasília e São Paulo ? O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Rubens Approbato Machado, afirmou, ontem, que a entidade e outros organismos que integram o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) não participarão mais das reuniões do órgão, ligado ao Ministério da Justiça, até o fim do mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. A atitude é uma retaliação à decisão do procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, de arquivar o pedido de intervenção federal no Estado do Espírito Santo, tomada na segunda-feira à noite. ?O que nós deliberamos é que, nesta atual gestão, a cada convocação do conselho, nós iremos comunicar a nossa ausência, porque, se as decisões do conselho não são respeitadas, nós não vamos fazer o papel de títeres de fantoches?, afirmou Approbato. Questionado sobre a afirmação feita ontem pelo governador do ES, José Ignácio Ferreira, de que advogados do conselho regional da OAB-ES fazem parte do grupo paramilitar Scuderie Le Coq, Approbato disse que a declaração foi uma autodefesa do governador. ?Ele (o governador), para poder se defender, atira, atacando. Na verdade, o atual presidente do conselho da OAB-ES (Agesandro da Costa Pereira) é um homem de reputação ilibadíssima e considerado um dos homens mais corajosos desse País?, afirmou. Propina dos ônibus Em São Paulo, o empresário João Antônio Setti Braga, que confirmou ontem ter pago propina para funcionários da Prefeitura de Santo André, disse acreditar que o prefeito Celso Daniel tenha sido assassinado por ter descoberto o esquema. Setti Braga foi sócio da empresa de ônibus Nova Santo André entre 1997 e 2000. Ele disse em depoimento à CPI criada na cidade que pagava, juntamente com seus sócios, R$ 100 mil por mês para ?trabalhar sossegado?. O empresário afirmou que Celso Daniel não fazia parte do esquema. ?Conhecia o Celso desde o nosso tempo de ginásio. Duvido que ele tivesse qualquer ligação com as irregularidades?. Para ele, o prefeito pode ter descoberto o que estava acontecendo, e foi morto como ?queima de arquivo?. ?Não sou o primeiro a dizer isso. O irmão dele, o João Francisco, já fez essa afirmação?. Sobre a possível autoria do assassinato, ele preferiu não fazer acusações diretas. Setti Braga afirmou que o dinheiro recolhido mensalmente na sua empresa era levado por um dos sócios, Ronan Maria Pinto, para o ex-secretário de Serviços e Obras, Klinger Luís de Oliveira, definido por ele como ?um homem violento?. Ronan e Klinger não fazem aparições públicas desde que as denúncias começaram a ser publicadas na imprensa.