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Sem dinheiro, Ex�rcito dispensa 44 mil recrutas

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Brasília - O esforço do governo pela manutenção da meta fiscal levou o presidente Fernando Henrique Cardoso a autorizar, por meio de decreto publicado ontem no ?Diário Oficial? da União (DOU), o Ministério do Exército a dispensar 44 mil recrutas do contingente de 52 mil alistados em março para o serviço militar obrigatório. Os recrutas deveriam sair apenas em novembro, mas serão licenciados a partir do fim deste mês. Adotada em caráter emergencial, a medida é inédita e foi mantida pelo Exército, apesar de o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão ter anunciado que, até o fim da semana, publicará portaria autorizando a liberação para as Forças Armadas de recursos orçamentários bloqueados por causa do ajuste fiscal do governo. Deverão ser liberados R$ 300 milhões para as três Forças. Dinheiro que não será suficiente para manter os 52 mil recrutas pelo tempo integral de um ano. Na última terça-feira, o ministro da Defesa, Geraldo Quintão, esteve com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, na tentativa de definir um cronograma de liberação de verbas federais. Com a drástica decisão, o Exército economizará com refeição, pagamento de salário mínimo para recrutas e manobras militares. O serviço de comunicação do Ministério da Defesa confirmou, ainda, que está em estudo a proposta de desativação de unidades do Exército por causa da falta de dinheiro para manter alguns setores. Por medida de economia, também será adiada por 60 dias a convocação de 18 mil novos recrutas prevista no cronograma do Exército e será reduzido o horário de funcionamento de organizações militares. Na tentativa de contornar a situação, Quintão reuniu-se na semana passada com Fernando Henrique e a equipe econômica no Palácio da Alvorada. Pelas contas dos militares, as três forças - Exército, Marinha e Aeronáutica - e o Ministério da Defesa tiveram R$ 2,175 bilhões de recursos bloqueados no Orçamento deste ano - do total de R$ 5,224 bilhões previstos, foram liberados até agora R$ 3,050 bilhões. Das três forças, o Exército foi a pasta que menos recebeu recursos. Do total de R$ 1,381 bilhão previsto para investimento e custeio, o governo liberou até agora R$ 802 milhões - R$ 579 milhões estão bloqueados.

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