ESCÂNDALO
Master: Polícia Federal suspende depoimentos de dois investigados
Defesa de André Felipe e Henrique Souza conseguiu adiar suas audições ao argumentar que não teve acesso às provas


A Polícia Federal (PF) adiou parte dos depoimentos previstos nessa segunda-feira (26) no inquérito que apura supostas irregularidades na tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), em um dos capítulos da Operação Compliance Zero.
Defensores de dois dos investigados, André Felipe de Oliveira Seixas Maia e Henrique Souza e Silva Peretto, conseguiram suspender temporariamente suas audições ao argumentar que não tiveram acesso integral às provas reunidas pela PF. Eles estavam agendados para prestar esclarecimentos às 10h e às 14h, respectivamente, mas não foram ouvidos, e ainda não há nova data definida para as oitivas.
Os dois são sócios da empresa Tirreno, que vendeu carteiras de crédito para o Master. Esses ativos, que são direitos sobre empréstimos, foram em seguida vendidas ao BRB. As investigações apontam que as carteiras eram fraudadas.
Na manhã dessa segunda, a PF ouviu por cerca de duas horas o ex-diretor financeiro do BRB, Dário Oswaldo Garcia Júnior. Para o fim da tarde permanece marcada a oitiva de Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de tesouraria do Banco Master.
As diligências fazem parte das apurações sobre uma negociação que chegou a mobilizar mais de R$ 12 bilhões em ativos, carteiras de crédito que, segundo a PF, eram supostamente “insubsistentes” e teriam sido oferecidas ao BRB em condições questionáveis. O caso está sob relatoria do ministro Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal (STF), onde as oitivas são realizadas de forma híbrida, presencial e por videoconferência.
Ao todo, oito investigados devem prestar depoimento até esta terça-feira (27). Entre eles estão executivos e ex-diretores do BRB e do Banco Master, como o superintendente de operações financeiras do BRB, Robério César Bonfim Mangueira, e o executivo Luiz Antonio Bull, ligado ao Master.
A investigação mira possíveis crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa. Como mostrou a reportagem, a permanência do caso no STF, em vez de retornar à Justiça Federal, dependerá em parte das informações colhidas nessas oitivas.
