Nacional
Parlamentares n�o se sentem culpados
Brasília, DF ? No Congresso, os parlamentares sabem de cor o conceito sociológico de patrimonialismo: quando o ente público ou representante do povo se apropria de bens do Estado como se fossem seus, particulares. Mas, não se encontra um que tenha considerado pecado avançar, em benefício próprio, sobre as verbas públicas que garantem o exercício do mandato. No caso dos desvios das passagens aéreas pagas por Câmara e Senado, o que se ouve é: há 40 anos o dinheiro ou a cota pertence ao parlamentar, para fazer o que quiser. E o que fizeram nos últimos anos foi economizar recursos próprios, bancando com dinheiro público passeios com familiares e amigos para destinos como Londres, Paris, Nova York, Milão, Madri, Roma e, principalmente, Miami. ### Maioria evita falar sobre moral e ética A verba de gabinete, R$ 60 mil para o deputado pagar salários a funcionários de confiança dos gabinetes, também é desviada em benefício pessoal. O caso mais recente foi o do senador Gerson Camata (PMDB-ES). O ex-assessor Marcos Andrade denunciou ao Ministério Público que, como funcionário do Senado, repassava 30% do salário para cobrir despesas pessoais do senador, que nega tudo. O Ministério Público pediu ao Supremo Tribunal Federal instauração de inquérito para investigar denúncia do ex-secretário parlamentar Fábio Lopes Faria, que acusou o deputado Wladimir Costa (PMDB-PA) de ficar com parte de seu salário, entre 2002 e 2005. Ele disse que recebia da Câmara R$ 3.100, mas entregava tudo a um irmão do deputado. E recebia, por isso, R$ 500 por mês. O caso nunca foi adiante. ///