COMPLEXIDADE DA REGIÃO
Lula usa discurso em fórum no Panamá para mandar recados a Donald Trump
Presidente brasileiro ainda defendeu a “neutralidade” do Canal do Panamá, uma das ambições dos EUA


O presidente Lula aproveitou seu discurso no Fórum Econômico da América Latina e Caribe, realizado nessa quarta-feira (28) no Panamá, para mandar uma série de recados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em sua fala no evento, Lula não citou diretamente nem Trump nem a situação da Venezuela, mas falou sobre a complexidade da região, considerando a proximidade com a “maior potência militar do mundo”, e defendeu uma integração maior entre os países.
Lula apontou problemas na Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que está paralisada.
Segundo ele, diante dos conflitos “ideológicos”, o bloco não teria conseguido sequer emitir uma nota contra intervenções ilegais na região.
“A única organização que engloba a totalidade dos países da América Latina e Caribe, a Celac, está paralisada, apesar dos esforços do nosso querido presidente Petro. A Celac não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a nossa região”, afirmou Lula.
O presidente brasileiro ainda defendeu a “neutralidade” do Canal do Panamá, uma das ambições de Trump. O americano só retirou a passagem marítima de seu radar por causa de um acordo com o presidente panamenho, José Mulino.
“A integração em infraestrutura não tem ideologia. Por isso, o Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá, administrado de forma eficiente, segura e não discriminatória há quase três décadas”, afirmou o mandatário brasileiro.
O petista chegou a ser aplaudido ao falar sobre a necessidade de união da região. O mandatário ainda citou o ex-presidente americano Franklin D. Roosevelt e sua política da boa vizinhança como um exemplo das relações com os americanos.
“Não há nenhuma possibilidade de qualquer país da América Latina sozinho achar que vai resolver problemas. Temos 525 anos de história. Já fomos colonizados, recolonizados. Independência. Precisamos mudar de comportamento. Precisamos criar um bloco econômico que possa dizer ajudar a acabar com a fome”, completou Lula.
Em outra indireta a Trump, que aplicou um tarifaço contra diversos países, o atual chefe do Palácio do Planalto afirmou que o Brasil respondeu “a práticas do protecionismo com diálogo, firmeza e apoio às nossas empresas”.
