Nacional
Amea�as antecedem instala��o da CPI
Brasília, DF ? Antes de sua instalação, a CPI da Petrobras já provoca uma guerra de ameaças nos bastidores envolvendo caciques da oposição e do governo. Essa pressão, que surge principalmente da base aliada, é vista no Senado como uma última tentativa para estabelecer um acordo com o objetivo de esvaziar a CPI. Nos últimos dias, integrantes de PSDB e DEM foram devidamente alertados de que as investigações da Petrobras também podem atingir integrantes da oposição, como uma forma de chantagem para intimidar o surgimento de novas denúncias. Em conversas reservadas, já começa a surgir todo o tipo de ameaça. Nesse clima de intimidação, até o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), chegou a ser procurado por um influente petista. O recado foi direto: que a oposição pegasse leve na CPI. Caso contrário, todos seriam atingidos. ### PSDB evita divergências com o DEM Para evitar um racha que comprometa a aliança já alinhavada com o DEM e o PPS para a sucessão presidencial, o PSDB pretende relevar divergências, até agora menores, com os democratas. ?Todas as arestas com o DEM já foram arredondadas. Não acredito em prejuízo à nossa relação eleitoral para 2010?, atesta o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Embora tenha sido desautorizado publicamente pelo PSDB, quando os tucanos contestaram o acordo que ele havia referendado a favor do adiamento da leitura do requerimento de criação da CPI da Petrobras pelo menos até que o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, fosse ouvido pelo Senado, o líder do DEM, José Agripino (RN), confirma que o episódio já teria sido superado. Isso depois de uma conversa com o líder tucano, Arthur Virgílio (AM), que de fato tinha autorizado que Agripino lhe representasse na reunião do colégio de líderes. ### ?Não farei parte de tropa de choque? Indicado para representar o PTB na CPI da Petrobras, o senador Fernando Collor afirmou, em entrevista ao blog do jornalista Josias de Souza, publicado pela Folha Online, que vai à comissão para investigar, não para abafar. ?Eu não farei parte de nenhuma tropa de choque na CPI?, disse o senador. Confira. Como se deu sua indicação para a CPI? Foi um pedido meu. Eu disse ao Gim [Argello, líder do PTB] que gostaria de fazer parte da CPI. Por que o interesse? Primeiro, é uma experiência muito interessante. Permite que eu participe das atividades legislativas com mais densidade. Em segundo lugar, é uma forma de eu colaborar para que os trabalhos tomem um rumo de tranquilidade, sem exageros e sobressaltos. É isso o que eu espero. Vai à CPI para investigar ou para acalmar os ânimos? As duas coisas. Meu desejo é o de que a CPI alcance o objetivo de elucidar alguns pontos que não estão claros sobre a administração da Petrobras. São os tópicos elencados no requerimento do senador Álvaro Dias [PSDB-PR] e outras questões supervenientes. Acha, portanto, que há o que investigar? Sempre há o que investigar. Basta a pessoa ser um pouco cu- riosa para detectar dúvidas e perguntas que precisam ser feitas. O governo escala uma tropa de choque para defendê-lo na CPI. Vai integrar essa tropa? Eu não farei parte de nenhuma tropa de choque na CPI. Disso não farei parte. Meu intuito não é esse. O que vou fazer é tentar ajudar para que a CPI não se transforme numa arena de lutas verbais. Espero que tenha a maior objetividade possível dentro das finalidades para as quais foi criada. Quer objetividade para investigar? Sim, claro. Creio que é do interesse do próprio governo que todas as questões fiquem esclarecidas. Aloizio Mercadante defende que a CPI se ocupe do debate do marco regulatório do pré-sal. Concorda? Não creio que seria o foro ideal para isso. Essa questão do marco regulatório do pré-sal é algo para ser discutido na comissão de Infraestrutura ou na de Assuntos Econômicos. Não há campo para esse tipo de discussão na CPI. Até porque desvirtua o objetivo da CPI. Em discurso no plenário, Arthur Virgílio disse que Collor não criou obstáculos para a CPI que levou ao impeachment e não seria agora que obstaculizaria uma CPI da Petrobras. Concorda com o raciocínio? Concordo plenamente. Seus propósitos foram explicitados ao líder Gim Argello? Deixei tudo muito claro. Vamos com o propósito de investigar. Apenas tentaremos evitar que a tensão pré-eleitoral possa desaguar na CPI. Isso criaria um clima de indisposição grave entre partidos políticos que têm candidatos à eleição de 2010. Se necessário, trabalharei no sentido de apaziguar. Minha palavra será sempre no sentido de que não podemos perder a objetividade da CPI. Fez alguma reflexão pessoal do ponto de vista historiográfico? Sem dúvida, é uma coincidência curiosa. Eu, que fui alvo de uma CPI que me afastou do governo pelo impeachment, participarei agora dessa CPI. Uma CPI de envergadura, constituída para investigar pontos obscuros da administração da Petrobras, a maior estatal brasileira. Empresa que agora está sob gestão do PT... Exatamente. Vou conviver na CPI com pessoas que foram artífices na CPI contra o meu governo, que resultou no meu afastamento. A história é caprichosa, não acha? É verdade. A história tem os seus caprichos [risos]. Move-o o instinto de vingança? De jeito nenhum. Atuarei com a sobriedade que o tema exige. ///