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Vorcaro escreveu para Moraes no dia em que foi preso

“Alguma novidade? Conseguiu bloquear?”, perguntou o banqueiro a ministro

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Daniel Vorcaro será transferido para penitenciária federal
Daniel Vorcaro será transferido para penitenciária federal | Foto: Divulgação

Mensagens encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro ampliaram as investigações da Polícia Federal sobre suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e suas conexões políticas e institucionais.

Entre os registros analisados pelos investigadores está uma troca de mensagens com o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes na manhã de 17 de novembro, dia em que o banqueiro acabou preso.

Às 7h19, Vorcaro enviou uma mensagem ao magistrado perguntando: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu bloquear?”. A resposta do ministro aparece no aparelho como mensagens de visualização única, cujo conteúdo não pôde ser recuperado.

O empresário foi preso na mesma noite, no aeroporto internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai. Segundo a PF, naquele momento ele já tinha conhecimento do inquérito que investigava a venda de carteiras de crédito consideradas fraudulentas ao Banco de Brasília.

Ontem, o ministro André Mendonça autorizou nesta quinta-feira (5) a transferência do banqueiro para a Penitenciária Federal de segurança máxima em Brasília.

De acordo com os investigadores, há indícios de que Vorcaro tenha acessado ilegalmente sistemas da própria Polícia Federal e do Ministério Público para obter informações sobre as apurações. A investigação também aponta suspeitas de que dois servidores do Banco Central do Brasil teriam repassado dados sobre fiscalizações e orientado o empresário sobre procedimentos adotados pela autarquia.

As mensagens extraídas do celular também citam encontros com autoridades políticas e integrantes do Judiciário. Em conversas com a namorada, a modelo Marta Graef, Vorcaro relata reuniões com o senador Ciro Nogueira e com o presidente da Câmara, Hugo Motta, além de mencionar encontros com Moraes em diferentes ocasiões.

Em outro diálogo, o empresário afirma ter participado de uma reunião com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o presidente do Banco Central e com ministros do governo. O conteúdo das mensagens, no entanto, não detalha o objetivo desses encontros.

Parte do material também inclui registros de eventos do Grupo de Líderes Empresariais realizados em Nova York, patrocinados pelo Banco Master, que reuniram autoridades e empresários.

O caso ganhou repercussão política em Brasília e parlamentares voltaram a defender a criação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar as atividades do banco e suas conexões com agentes públicos. Embora haja número suficiente de assinaturas, a instalação da CPI ainda depende de decisão das presidências da Câmara e do Senado.

PLANILHA

Uma planilha que integra investigação da Polícia Federal indica que os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes, sentaram na mesa denominada “2 Banco Master“, em um jantar de gala promovido durante a Lide Brazil Conference, em Nova York (EUA).

O evento ocorreu em novembro de 2022, no restaurante Fasano New York, na região da 5ª Avenida, e teve patrocínio do dono do Banco Master. O estabelecimento, que não costuma funcionar nas noites de domingo, foi aberto especialmente para a ocasião.

Os nomes de Moraes, Toffoli e Viviane Barci aparecem na planilha de organização das mesas do jantar. Na mesma mesa estava o empresário Nelson Tanure, apontado pela Polícia Federal como sócio oculto do Banco Master e que, segundo a investigação, teria “exercido influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas”.

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