Articulações
Governadores adotam estratégias distintas às vésperas das eleições
Ratinho Jr. desiste de candidatura à Presidência e fica no governo do PR; Zema e Castro deixam os cargos
Movimentos distintos entre governadores ampliaram a reconfiguração do cenário político nacional às vésperas da disputa presidencial. Em um intervalo de 24 horas, Ratinho Júnior (PSD) desistiu de concorrer ao Planalto e decidiu permanecer no cargo, enquanto Romeu Zema (Novo) e Cláudio Castro (PL) deixaram seus governos – por motivações distintas.
No Paraná, Ratinho Júnior comunicou ao presidente do PSD, Gilberto Kassab, que não disputará a Presidência e concluirá o mandato até dezembro. Favorito interno e bem posicionado em pesquisas, o governador alegou compromisso com a gestão estadual e anunciou que pretende se afastar da política ao fim do ciclo, assumindo a presidência do Grupo Massa. Nos bastidores, pesaram resistências familiares, incertezas sobre a sucessão no estado e pressões políticas locais.
A decisão reabre a disputa interna do PSD, agora concentrada entre os governadores Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, com vantagem para o goiano, segundo dirigentes da sigla.
Em Minas Gerais, Romeu Zema formalizou sua renúncia no domingo (22) para disputar a Presidência pelo Novo, dentro do prazo legal de desincompatibilização.
O cargo foi assumido pelo vice, Mateus Simões. Em seu discurso de despedida, Zema fez críticas ao governo federal e afirmou que pretende levar ao plano nacional a agenda adotada em sua gestão.
JULGAMENTO
Já no Rio de Janeiro, Cláudio Castro apresentou sua renúncia nesta segunda-feira (23), um dia antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que analisa a cassação de sua chapa por suspeitas de abuso de poder econômico e político nas eleições de 2022. Com a saída, o vice-governador Thiago Pampolha assume o comando do estado.
A decisão foi formalizada em carta enviada à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O processo no TSE envolve o caso das chamadas “folhas de pagamento secretas” da Fundação Ceperj e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, com suspeitas de uso de contratações temporárias para favorecer a campanha de reeleição. O Ministério Público Eleitoral defende a cassação e a inelegibilidade, enquanto Castro sustenta que não houve irregularidades.
As movimentações evidenciam estratégias divergentes entre lideranças estaduais: de um lado, a preservação de capital político local, como no caso de Ratinho; de outro, a busca por projeção nacional, como Zema; e, no caso de Castro, uma saída marcada por pressão jurídica. O conjunto de decisões impacta diretamente o tabuleiro eleitoral e a formação de candidaturas para 2026.