Desincompatibilização
Renan Filho e mais 17 ministros deixam governo para disputar eleições
Em reunião ontem com a equipe, Lula confirmou Alckmin como candidato a vice em sua chapa
Em meio à preparação do governo para o calendário eleitoral, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu ministros nessa terça-feira (31) para alinhar a transição em diversas áreas e formalizar a saída de integrantes que disputarão as eleições de outubro. A movimentação deve provocar mudanças em ao menos 18 ministérios nos próximos dias, a poucos dias do prazo legal de desincompatibilização.
Durante o encontro — o primeiro ministerial de 2026 — Lula também confirmou que o vice-presidente Geraldo Alckmin será novamente candidato a vice em sua chapa. A legislação permite que presidente e vice disputem a reeleição sem deixar os cargos, diferentemente de ministros e outras autoridades, que precisam se afastar até seis meses antes do pleito.
Parte das exonerações já foi oficializada em edição extra do Diário Oficial da União. Entre os ministros que deixam os cargos para disputar as eleições estão Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), Macaé Evaristo (Direitos Humanos e Cidadania), André Fufuca (Esporte), Sonia Guajajara (Povos Indígenas), Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) e Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos). O então titular da Pesca e Aquicultura, André de Paula, foi deslocado para assumir a Agricultura e Pecuária.
Outros nomes também devem deixar o governo até o fim da semana, como Rui Costa (Casa Civil), Camilo Santana (Educação), Renan Filho (Transportes), Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), Jader Filho (Cidades), Anielle Franco (Igualdade Racial), além de Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), do próprio Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e de Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional).
Para evitar descontinuidade administrativa, o presidente decidiu não promover novas indicações políticas e manter a estrutura das pastas, com a substituição por secretários-executivos. “Temos confiança na equipe”, afirmou. Segundo ele, a prioridade é garantir o funcionamento da máquina pública até o fim do mandato.
CUSTOS DAS CAMPANHAS
No discurso, Lula fez críticas ao custo das campanhas eleitorais e ao que chamou de distorções no sistema político. “Em muitos casos, a política virou negócio”, disse. O presidente mencionou relatos de que campanhas para a Câmara dos Deputados podem ultrapassar R$ 50 milhões. “Se isso for verdade, chegamos ao fim de qualquer seriedade”, acrescentou.
Ainda segundo o presidente, a deterioração do ambiente político é resultado de omissões sucessivas. “As coisas vão passando e vão piorando”, afirmou, ao defender mudanças no sistema e maior compromisso com a qualidade das candidaturas.
As substituições já começaram a ser implementadas, com a nomeação de novos ministros oriundos das próprias equipes técnicas, como Dario Durigan. A estratégia do governo é preservar a continuidade de projetos em andamento durante o período eleitoral.