POLÍCIA FEDERAL
Donos de produtoras de funk em SP são presos em operação
Ação apura esquema que utiliza indústrias fonográficas para lavagem de dinheiro
Os donos de duas produtoras de funk da capital paulista foram presos no âmbito da operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã de quarta-feira (15). A ação apura um esquema bilionário que utiliza as indústrias fonográficas e de entretenimento para lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, o grupo teria movimentado mais de R$ 260 bilhões.
Henrique Alexandre Barros Viana, o Rato, dono da Love Funk, e Rodrigo Inácio de Lima Oliveira, da GR6, foram presos temporariamente após determinação do Juízo da 5ª Vara Federal de Santos, no litoral de São Paulo.
De acordo com a decisão do juiz federal Roberto Lemos dos Santos Filho, Rato é apontado como operador financeiro do esquema. Ele teria realizado transações sem lastro – isto é, sem comprovação de origem lícita.
A decisão destaca ainda que Rato aparece em outras investigações que tratam de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). A mesma menção é feita em relação a Rodrigo, que também já foi investigado por elo com a facção criminosa.
A investigação da PF indica que a produtora de Rodrigo, a GR6, realizou transferências bancárias para Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, apontado como líder e principal benefciário esquema.
AUDIÊNCIA
A prisão de Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, conhecido como MC Poze do Rodo, foi confirmada pela Justiça Federal após audiência de custódia realizada nessa quinta-feira (16). Ele está no presídio José Frederico Marques, localizado em Benfica, na zona norte do Rio de Janeiro.
Em nota, a Justiça Federal afirmou que os "autos do processo encontram-se sob sigilo total, com acesso restrito às partes. O órgão comunicou que já foram realizadas mais de 30 audiências e que, até o momento, permanece mantida a prisão de todos os indivíduos que foram alvos de mandados, cumpridos em diversos locais".
Segundo a PF, mais de 200 policiais federais participam da operação e cumprem 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pelo Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos.
De acordo com a PF, a ação acontece nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
A PF acredita que o volume financeiro pelo grupo criminoso ultrapassa R$ 260 bilhões. Além de armas, carrões e dinheiro em espécie, a corporação apreendeu documentos e equipamentos eletrônicos que ajudarão na investigação.
Entre os presos na operação desta quarta estão os funkeiros MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa, dono da página Choquei.
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de Ryan.
O bloqueio foi imposto a 77 alvos da PF, entre empresas e pessoas físicas.