DIA DO TRABALHADOR
Atos de 1º de Maio mobilizam País pelo fim da escala 6x1
As mobilizações começaram pela manhã em capitais e cidades do interior
Centrais sindicais realizaram atos descentralizados pelo Brasil nessa sexta-feira (1º), Dia do Trabalhador, com ênfase no fim da escala 6 X 1 e na redução da jornada sem corte de salários.
As mobilizações começaram pela manhã em capitais e cidades do interior, como Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre, e se espalharam ao longo do dia com participação de trabalhadores, lideranças sindicais e políticos.
Os atos são organizados por entidades como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), que afirmou, em nota, que a redução da jornada expressa a busca por melhores condições de vida.
A mobilização ocorre em um cenário de fragmentação política e tensão com o Congresso, após derrotas recentes do governo, o que amplia o peso econômico e institucional das reivindicações.
Além da jornada, os protestos incluem pautas como combate à violência contra mulheres, enfrentamento à pejotização, fortalecimento da negociação coletiva e regulamentação do trabalho por aplicativos. Também há pressão por regras mais amplas de negociação para servidores públicos.
As concentrações começaram cedo em diferentes regiões. Em Belo Horizonte, houve missa às 7h e ato às 9h. Em Brasília, manifestantes se reuniram no Eixão do Lazer às 10h. Em cidades do Nordeste, como Maceió e Aracaju, os atos tiveram início às 8h. No Estado de São Paulo, municípios como Campinas, Santos e São Bernardo do Campo registraram mobilizações a partir das 9h.
Em São Paulo, o 1º de Maio teve um componente adicional de disputa política. A Avenida Paulista foi reservada por grupos conservadores após decisão da Polícia Militar baseada no critério de antecedência dos pedidos.
O espaço foi reservado por movimentos como Patriotas do QG, Voz da Nação e Marcha da Liberdade, ligados ao Projeto União Brasil.
A definição impediu que centrais sindicais realizassem atos de esquerda no local tradicional, e levou a realocação das manifestações para outros pontos da cidade. A decisão foi justificada pela corporação como técnica e voltada a evitar confrontos entre grupos com posições opostas.
A divisão do espaço reflete a fragmentação dos atos em 2026. Diferentemente de anos anteriores, quando havia maior concentração em grandes eventos, as manifestações foram distribuídas por várias cidades e locais, em estratégia que busca ampliar alcance, mas reduz centralidade política.
O debate sobre jornada de trabalho tem impacto direto na economia, especialmente em setores intensivos em mão de obra.
A proposta de mudança na escala pressiona empresas e o Congresso a avaliar efeitos sobre custos, produtividade e formalização do emprego, em um momento de disputa política mais ampla sobre regras do mercado de trabalho.
PROTAGONISMO
Em nota, a CUT informou que a luta pela redução da jornada de trabalho, sem redução de salários, ganha protagonismo neste ano e expressa a urgência por mais qualidade de vida e condições dignas para quem vive do trabalho.
O PL 1838/2026 foi protocolado em regime de urgência após ser enviado ao Congresso Nacional pelo presidente Lula, em 14 de abril e precisa ser votado em até 45 dias a partir da data do envio.
Na Câmara, apesar de o tema ter ganhado impulso, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB) está priorizando a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). O texto principal em discussão é a PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) que reduz a jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais, de forma gradual, ao longo de 10 anos. Já a proposta da deputada Érica Hilton (PSOL) prevê a redução da jornada para quatro dias por semana – a escala 4x3. Como são duas propostas sobre o mesmo tema elas podem ser apensadas com a união de alguns pontos.