Nacional
Duque arquiva processo contra Virg�lio
Brasília, DF ? Com participação direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PMDB abriu caminho ontem para um acordo que pode enterrar os processos por quebra de decoro parlamentar contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e o líder do PSDB na Casa, Arthur Virgílio (AM). A estratégia peemedebista contou com duas ações: o arquivamento ontem do processo contra Virgílio no Conselho de Ética e o pedido ao presidente Lula para pressionar os senadores petistas a desistirem de reabrir um dos processos contra Sarney ? o que trata da nomeação do namorado da neta do presidente do Senado por meio de ato secreto. Anteontem à noite, Sarney e o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, conversaram, separadamente, com Lula. Nas conversas, disseram ao presidente que o PT precisa decidir de que lado está. Foi citado que os petistas não podem querer a aliança do PMDB na CPI da Petrobras e se aliar à oposição no Conselho de Ética. ### Collor desmente revista e revela fatos No plenário do Senado, esta semana, o senador Fernando Collor (PTB) respondeu a um artigo publicado na revista Veja, que, por sua vez, reagiu a revelações feitas na semana passada pelo ex-presidente, também durante pronunciamento no Senado. A seguir, em suas próprias palavras, Collor resume os fatos. *** ?Eu disse desta tribuna que a revista Veja, na questão relacionada ao processo a que fui submetido, de afastamento da Presidência da República, havia cometido um crime, por que havia surrupiado documentos e sabia que esses documentos surrupiados constituíam um crime. Assim sendo, não poderia o que constava desses documentos ser divulgado, sob pena de uma ação criminal contra o autor e contra a própria revista. O resultado disso é que afinal encontraram um deputado federal que se juntou a essa armação e que aceitou dizer que havia recebido aqueles documentos anonimamente em seu gabinete e que, por assim dizer, daria uma garantia da publicação daqueles documentos, o que realmente aconteceu. Isso não é jornalismo. Isso é crime, isso é fraude. A segunda denúncia que fiz foi relacionada àquele que empastela a última página desse hebdomadário, que havia procurado um ministro do Supremo Tribunal Federal e oferecido a esse ministro ampla reportagem nas páginas desse hebdomadário, inclusive com uma foto de capa. Nesta semana, agora, a revista Veja, mais uma vez, quinchou, seja publicando matéria em que tenta me detratar, seja pelo que escreveu o jornalista Roberto Pompeu de Toledo, que, querendo demonstrar ser um bípede, bateu o pé três vezes no chão, dizendo que era mentira, mentira e mentira o que eu aqui havia dito. Quero apenas ratificar que esta é a pura verdade: ele lá esteve e fez essa proposta a um ministro do Supremo Tribunal Federal. Bastaria que ele pudesse ter um pouco mais de consciência e pudesse dizer a verdade, porque só a verdade poderá libertá-lo. De qualquer maneira, estamos fazendo um esforço. Tenho obrado na sua cabeça, essa última semana, todos os dias. Venho obrando, obrando, obrando na cabeça do jornalista Roberto Pompeu de Toledo, tentando com isso fazer com que uma graxa possa, de alguma forma, melhorar seus neurônios e assim ele possa, finalmente, cair em si e trazer a verdade. Ele, sim, é que é um mentiroso. Ele, sim, é que é um salafrário. Ele, sim, é que é alguém que não merece o título de jornalista. É necessário que todos entendam que a reação que tive no que diz respeito ao publicado por aquele hebdomadário nada mais é do que algo muito pequeno, muito pouco, de quem, durante quinze anos, vem sofrendo nas mãos deles. Durante quinze anos, disseram e falaram o que quiseram. Deram as versões as mais diversas, diferentes, diversificadas e fantasiosas que desejaram dar aos episódios que culminaram com meu afastamento da Presidência da República. Várias versões foram oferecidas à opinião pública. Livros foram escritos por estelionatários e por jornalistas outros, querendo dar sua versão com invencionices, com mentiras. E, agora, quando posso ter uma tribuna para dar a versão de quem viveu o fato ? fui eu quem viveu o fato ?, quando posso trazer fatos, de quando em quando, para registros e reparos da História, como foi feito na segunda-feira, há uma verdadeira ebulição, uma excitação em relação a esses fatos que trago. E me sinto no dever, diante da Nação brasileira, de assim agir, para que a Nação brasileira possa fazer o correto juízo do que aconteceu nos idos de 1992?. ///