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INVESTIGAÇÃO

Deolane é presa sob suspeita de lavagem de dinheiro do PCC

Influenciadora teria participado de esquema com transportadora ligada à facção

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Deolane atuava como um espécie de caixa de facção criminosa
Deolane atuava como um espécie de caixa de facção criminosa | Foto: — Divulgação

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desda quinta-feira (21), em Barueri, região metropolitana de São Paulo. Ela foi detida numa operação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil.

Deolane foi detida em sua casa, uma mansão que fica em Alphaville, bairro que concentra condomínios luxuosos.

A Operação Vérnix investiga lavagem de dinheiro da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Marco Herbas Camacho, o Marcola, chefe do PCC, que está preso na Penitenciária Federal de Brasília, também é alvo da operação.

A ação é resultado de uma investigação que ocorre há anos e que identificou um esquema milionário ligado à cúpula do PCC.

A operação começou com bilhetes encontrados em uma cela da Penitenciária II, em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, em 23 de julho de 2019.

O advogado Rogério Nunes, que defende Deolane, disse que assim que se inteirar do caso vai se manifestar. Já o defensor de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, Bruno Ferullo, afirmou que é praticamente impossível que seu cliente comande o PCC de dentro do sistema penitenciário, como apontam autoridades.

Agentes de segurança fizeram uma revista na cela de Sharlon Praxedes da Silva, o Maradona, e Gilmar Pinheiro Feitoza, o Cigano, e, na caixa de esgoto, encontraram uma grande quantidade de bilhetes escritos à mão.

Após análises, foram descobertas negociações do tráfico de drogas dentro do presídio, relacionamentos com a cúpula do PCC, principalmente com Marcola, que habitava à época o mesmo pavilhão de Gilmar, com quem mantinha conversas diárias durante o período de sol. Marcola havia sido transferido para o sistema federal em fevereiro de 2019.

Os manuscritos também revelaram um plano de atentado contra agentes públicos, incluindo o então ex-diretor da unidade, Luiz Fernando Negrão Bizzoto, segundo a Polícia Civil de São Paulo.

Um desses bilhetes cobrava a execução do plano de ataques e descrevia que "aquela mulher da transportadora já entregou tudo certinho até o endereço novo do Bizzoto."

CAIXA DO PCC

Investigadores afirmam que Deolane atuava como um espécie de caixa da facção criminosa. "O crime deposita recursos na figura pública, os valores se misturam a outros com origem lícita e depois retornam ao crime organizado", disse o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sergio Oliveira Costa, ao explicar como a atuação de Deolane como influenciadora dificultava o rastreio do dinheiro.

Os investigadores afirmam que a ligação de Deolane com a transportadora Lado a Lado que seria o braço direito do PCC é o pontapé inicial para aprofundar o elo entre a influenciadora e o crime organizado. Segundo a polícia, indícios obtidos a partir da quebra dos sigilos bancário e fiscal de Deolane já apontam essa relação.

As investigações também descobriram que ela chegou a abrir 35 empresas num endereço em Martinópolis, no interior de São Paulo, onde havia uma casa popular. A polícia não informou a quem pertencia a residência.

A sobreposição de empresas num mesmo local não é necessariamente ilícita, mas pode, muitas vezes, revelar indícios da prática criminosa.

Além das empresas em Martinópolis, a influenciadora também mantinha outros CNPJs em outros locais —dois deles, por exemplo, em Santo Anastácio, também no interior, e outros em Ribeirão Preto.

"Esse é um problema muito grande. É a pejotização do crime organizado", disse o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo.

Para ele, o controle sobre a abertura de novas empresas deveria ser mais rigoroso —um passo inicial estaria na implementação de uma pesquisa prévia sobre o endereço do estabelecimento em vias de ser registrado ou no cruzamento de dados para verificar outros CNPJs instalados no mesmo local.

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