REJEIÇÃO HISTÓRICA
A rejeição de Jorge Messias e o preço da rigidez institucional
“Essa dificuldade de reação do governo contamina o debate sobre pautas econômicas urgentes”
Tenho a impressão de que a rejeição da indicação de Jorge Messias para a Suprema Corte pelo Senado Federal, por 42 votos contrários e 34 favoráveis, ocorrida em 29 de abril, representou uma derrota do Presidente Lula, e não do Advogado-Geral da União.
A meu ver, o ponto mais frágil de sua defesa ocorreu quando, ao ser questionado sobre os episódios de 8 de janeiro, afirmou ter sido o autor da acusação que tratava aquela desordem como um golpe de Estado. Na verdade, tratou-se de uma baderna, pois, sem o uso de armas, não haveria como configurar um golpe. Certamente, tal posicionamento enfraqueceu sua apresentação.
Por outro lado, sabe-se que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, juntamente com o Centrão, não desejava essa indicação e decidiu demonstrar sua força perante o presidente Lula. No Supremo Tribunal Federal, havia ministros favoráveis à indicação e outros contrários.
A insistência do Executivo em pautas que ignoram a independência técnica das instituições tem gerado um desgaste desnecessário. Ao priorizar critérios de proximidade pessoal e ideológica em detrimento de uma articulação institucional sólida, o governo acaba tensionando a relação com o Legislativo, evidenciando uma dificuldade crônica de diálogo que transcende a simples composição de maiorias parlamentares.
Esse episódio remete a um fato histórico. Pela primeira vez em 132 anos, vivemos uma rejeição semelhante. O precedente remonta ao governo do segundo presidente da República, cujo mandato foi marcado por uma forte tendência ditatorial e sucessivas revoltas, chegando-se a defender, inclusive, a pena de morte.
Do ponto de vista jurídico, a maior derrota que um presidente da República pode sofrer é a rejeição da indicação de um ministro para o Supremo. Nos últimos 132 anos, isso jamais havia ocorrido.
Poucas semanas após a votação histórica no Senado, os reflexos imediatos desse episódio demonstram que o Palácio do Planalto ainda tenta digerir o recado. A rejeição de Jorge Messias abriu uma crise aguda na articulação política do governo Lula, evidenciando uma postura de recuo e perplexidade diante de um Congresso Nacional fortalecido. Essa paralisia momentânea e a dificuldade de reação contaminam o debate sobre pautas econômicas urgentes, provando que o erro estratégico na escolha do indicado trava a governabilidade no presente.
Isso também demonstra a fragilidade do governo Lula e reforça a percepção de que a gestão vai muito mal sob diversos aspectos: economia, contas públicas, juros e aumento da carga tributária. Além disso, a constante aposta em projetos populistas pode dificultar severamente o cenário para o governo sucessor.
Creio que essa mensagem enviada ao Presidente Lula deve levá-lo à reflexão. Vencer eleições por meio de manipulações ou com a defesa de projetos populistas — em um país com as riquezas e a potencialidade que o Brasil possui — impede um crescimento robusto, resultando em índices pífios como os observados nas gestões do PT. Todo esse cenário culminou nesse revés histórico.
Minha crítica não recai sobre o Advogado-Geral da União, o indicado, mas sobre o presidente Lula, por não ter sabido indicar alguém que fosse consenso entre os Poderes e perante a sociedade brasileira, optando, em vez disso, por seu advogado pessoal.