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CÚPULA

Na presença de Trump no G7, Lula critica protecionismo

Presidente brasileiro criticou unilateralismo e defendeu respeito à soberania

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Em nenhum momento Lula citou diretamente os Estados Unidos
Em nenhum momento Lula citou diretamente os Estados Unidos | Foto: — Foto: Ricardo Stuckert / PR

Em sua estreia na Cúpula do G7, realizada nessa terça-feira (16) em Evian-les-Bains, na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom diplomático ao fazer críticas indiretas às diretrizes políticas adotadas pelo governo dos Estados Unidos.

O posicionamento do chefe do Executivo brasileiro ocorreu em um cenário de forte simbolismo: Lula discursou praticamente frente a frente com o presidente norte-americano, Donald Trump, que ocupava o lado oposto de uma grande mesa oval.

Durante sua intervenção, o mandatário brasileiro criticou abertamente práticas de protecionismo econômico e o unilateralismo nas decisões internacionais, contrapondo-se a essas medidas ao defender a necessidade de respeito à soberania de cada Estado no combate global ao crime transnacional.

Foram referências às decisões recentes do governo dos EUA de ameaçar o Brasil e outros países com a imposição de novas tarifas comerciais e de classificar, unilateralmente, o Comando Vermelho e o PCC como entidades terroristas.

Em nenhum momento Lula citou diretamente os Estados Unidos ou Trump.

“O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”, disse Lula ao defender maior cooperação entre os países para ajudar no desenvolvimento dos países do chamado Sul Global.

Na sequência, o presidente brasileiro aproveitou para criticar a desigualdade e o que classificou como falta de vontade política para diminuí-la.

“Nos últimos anos, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado. O primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial. A extrema concentração de riqueza decorre de décadas de políticas pró-bilionários”, disse ele.

O líder brasileiro também afirmou que o combate aos crimes transnacionais e ao narcotráfico "devem fazer parte da agenda de desenvolvimento”.

Neste trecho do discurso, Lula fez a segunda crítica indireta a Trump e sua decisão de classificar os grupos criminosos brasileiros como terroristas, uma decisão que contou com a oposição do governo brasileiro justamente por ignorar as leis do país sobre isso.

Lula afirmou que esse combate deve ser feito por meio de mais cooperação internacional, inclusive com ações da Interpol.

Pouco antes do discurso, Lula e Trump participaram da sessão de fotos com os líderes do G7. Na ocasião, os dois conversaram rapidamente com outros líderes e não se cumprimentaram.

PROMESSAS CUMPRIDAS

O G7 que se reuniu no Canadá em junho de 2025 cumpriu 80% do que prometeu. O problema está nos 20% restantes —e no que eles revelam sobre os temas em que o grupo mais falha: as dívidas dos países em desenvolvimento e a paz no Oriente Médio.

É o que mostra o Relatório Final de Conformidade da Cúpula de Kananaskis, publicado pelo G7 Research Group, organização acadêmica independente vinculada à Universidade de Toronto que desde 1987 rastreia o que os líderes do grupo prometem —e o que de fato fazem. O documento chega às mãos dos líderes exatamente quando eles iniciam sua participação na cúpula de Évian, na França, que começou nessa segunda-feira (15).

A avaliação abrangeu 20 dos 148 compromissos assumidos em Kananaskis e cobriu o período de junho de 2025 até junho de 2026. A pontuação média equivale a 80% de conformidade. O número parece razoável até ser colocado em perspectiva: nas duas cúpulas anteriores, o índice chegou a 92% (Apúlia, 2024) e 96% (Hiroshima, 2023). A queda é considerável.

A União Europeia liderou o ranking geral com 95% de conformidade, seguida pelo Canadá, anfitrião de 2025, com 93%. O Reino Unido ficou com 90%. A partir daí, os números declinam: Alemanha e Itália empataram em 78%, enquanto França e Estados Unidos registraram 73%. O Japão ficou isolado na última posição, com 65%.

O resultado é, no mínimo, constrangedor para a França de Emmanuel Macron, que agora ocupa a presidência rotativa do G7 e recebe os parceiros em Évian. O anfitrião de 2026 chegou ao encontro com a mesma nota de Washington —a mais baixa entre as potências ocidentais.

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