OPERAÇÃO
Presos delegado, procurador e presidente de autarquia do Rio
Promotoria denuncia 11 sob suspeita de irregularidades no Instituto Rio Metrópoles
O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou 11 pessoas sob suspeita de desvio de R$ 86,3 milhões do IRM (Instituto Rio Metrópole), autarquia estadual responsável pelos projetos da região metropolitana fluminense.
Foram presos nessa quinta-feira (9) o presidente do órgão, Davi Perini Vermelho, o Didê; o delegado da Polícia Civil Franquis Dias Nepomuceno, diretor da autarquia; o procurador do estado Marcelo Lopes da Silva, que chefiava a Procuradoria-Geral do IRM; e Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de planejamento e projetos do IRM e integrante da Comissão Técnica de Licitação.
Também foram presas Amanda Íthala Santos da Paschoa, nora de Maurício Knoploch e gestora de contratos do IRM; e Caroline Soares Barros, conhecida como "a mulher da mala", ex-fiscal do IRM e fundadora do Instituto Bio, empresa subcontratada da autarquia.
Procurada, a Polícia Civil afirmou que a Corregedoria instaurou Processo Administrativo Disciplinar para apurar os fatos que implicaram na prisão do delegado. A corporação afirmou que "não compactua com qualquer desvio de conduta de seus integrantes" e que "mantém rígidos mecanismos de controle interno e colabora permanentemente com os órgãos de fiscalização e persecução, adotando todas as medidas cabíveis para apurar eventuais irregularidades".
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O governo do estado afirmou, em nota, que a operação decorre de auditoria no IRM feita pela Controladoria Geral do Estado e pelo Gabinete de Segurança Institucional, cujos relatórios foram encaminhados ao Ministério Público.
A presidência da autarquia, de acordo com o governo, tem mandato de quatro anos. A atual gestão foi nomeada na administração anterior (de Claúdio Castro), com mandato até dezembro de 2026.
"O Governo do estado reforça o compromisso com a transparência, a correta aplicação dos recursos públicos e o combate à corrupção", diz trecho da nota.
A denúncia, apresentada pelo Gaesf (Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal), atribui aos acusados os crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e contratações e lavagem de dinheiro.
Os mandados de prisão e busca e apreensão foram cumpridos na capital fluminense, em São Gonçalo (na Baixada Fluminense) e em Teresópolis (na região serrana do estado).
A Promotoria afirma que o grupo usou contratos firmados pelo IRM entre julho de 2022 e maio de 2026 para desviar recursos públicos.
A investigação aponta que Didê chefiava o núcleo de servidores públicos do esquema. Segundo a denúncia, ele autorizava contratações, assinava contratos e controlava os pagamentos.
A autarquia repassava em seguida ao Instituto Bio os valores pagos a duas empresas contratadas (Brazilian Institute of Organics), entidade que, segundo a investigação, não tinha estrutura operacional compatível com os montantes recebidos. O dinheiro era então sacado em espécie.
A reportagem tentou contato com o instituto por email e mensagens na manhã desta quinta, mas não houve manifestação até o momento.
Para os promotores, Maurício Silva Knoploch dos Santos articulava o direcionamento das licitações em favor das empresas contratadas. Ele é pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), que não está entre os investigados na operação.
A Justiça impôs a outros cinco denunciados medidas cautelares diversas da prisão, como monitoramento eletrônico, comparecimento periódico em juízo e proibição de deixar o país.