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INVESTIGAÇÃO

PF quer depoimento de Marcola sobre relação com amiga do filho de Lula

Ex-chefe de gabinete da Presidência deixou campanha de Lula após admitir que recebeu recursos

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O governo Lula decidiu também que não irá reconduzir Marcola
O governo Lula decidiu também que não irá reconduzir Marcola | Foto: — Divulgação

A Polícia Federal deve ouvir Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobre a influência da empresária Roberta Luchsinger no governo petista.

O STF (Supremo Tribunal Federal) autorizou a abertura de inquérito para investigar suposto tráfico de influência no Palácio do Planalto do grupo do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", por meio de Luchsinger.

Ela é próxima de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho de Lula.

A desconfiança é de que Marcola seria o principal canal de acesso de Luchsinger, que transferiu recursos para o ex-chefe de gabinete do presidente.

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Em nota, Marcola admitiu as transferências de Luchsinger, mas rejeitou haver qualquer ilegalidade. Ele alega que se trata de empréstimos.

A suspeita é de que o "Careca do INSS" e Luchsinger atuavam na tentativa de firmar contratos do governo federal. A investigação também solicitou a abertura de inquérito contra Lulinha por suspeita de tráfico de influência.

A expectativa é de que o filho do presidente também deponha presencialmente. O presidente já disse que, se por necessário, Lulinha retornará ao Brasil. Ele mora com a família na Espanha.

O governo decidiu também que não irá reconduzir Marcola a um cargo no conselho administrativo da Terracap, empresa pública do Distrito Federal.

Lula já avisou que manterá distância tanto de Marcola como de Lulinha durante o período eleitoral. E defendeu que ambos atuem com transparência e prestem todos os esclarecimentos.

Em duas notas divulgadas na noite de terça-feira (4), Marcola disse que sua atuação pública sempre foi pautada pela ética. “Em primeiro lugar, meus sigilos bancário e fiscal estão integralmente à disposição da Justiça”, escreveu ele. “Faço isso para deixar claro e público que jamais houve nada além do empréstimo pessoal que obtive junto a ela (Roberta Luchsinger), pago com a transferência bancária de R$ 249 mil – uma movimentação estritamente privada”, completou.

FAZ-TUDO

Braço direito e “faz-tudo” de Lula, Marcola começou a trabalhar com o petista há onze anos, em São Paulo. Integrou a equipe do Instituto Lula após passar pela prefeitura de São Carlos, à época administrada por Newton Lima (PT), e ter sido assessor parlamentar de Edinho Silva – hoje presidente do PT – e Vicente Cândido na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Em 2018, quando Lula foi preso no âmbito da Operação Lava Jato, se mudou para Curitiba e lá ficou durante os 580 dias em que o chefe permaneceu na Superintendência da Polícia Federal. Lula só deixou a prisão em novembro de 2019.

Discreto, Marcola não dava entrevistas e sempre cuidou da agenda e das correspondências do presidente. Era ele também quem filtrava os seus telefonemas, uma vez que Lula não usa celular.

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